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sábado, julho 15, 2017

Ensaio introdutório a Friedrich Nietzsche


       
 Friedrich Wilhelm Nietzsche  (1844-1900) filosofo alemão do século XIX. Foi uns dos filósofos mais críticos da historia da filosofia. Critica a modernidade de seu tempo, critica a religião, a política, critica os valores morais, critica a tradição filosófica racionalista e iluminista, sendo que sua crítica está na raiz do que podemos chamar a “crise da modernidade”, tendo influenciado filósofos contemporâneos como Heidegger, Foucault e outros. Nascido em Roecken, na Prússia, Nietzsche estudou em Bonn e em Leipzig, tornando-se professor de filologia clássica na Universidade de Basileia, na Suíça, em 1869. Sua primeira obra importante foi O nascimento da tragédia (1871), em que início à reinterpretação da filosofia grega em suas origens, considerando-a como ponto de partida do racionalismo que viria a dominar toda a tradição filosófica. Influenciado por Schopenhauer e amigo do compositor Richard Wagner, com quem depois rompeu, Nietzsche formulou uma filosofia que busca ser “afirmativa da vida” e valoriza a vontade. Crítico da moral cristã, em Além do bem e do mal (1886) e na Genealogia da moral (1887) faz uma análise devastadora da moral tradicional que considera baseada na culpa e no ressentimento. Nietzsche escreveu frequentemente sob a forma de aforismos e seu estilo poético faz parte de sua concepção filosófica. O modo de pensar de  Nietzsche busca um novo olha em filosofar de forma  libertária e visando superar as formas limitadoras de Toda  tradição.
*Um filosofo difícil de entender, pois era erudito (ou seja, uma inteligência e de cultura vasta, além de dominar filologia que é estudo científico do desenvolvimento de uma língua ou da família de muitas línguas).
Temos em Nietzsche

         Temos em Nietzsche um pensamento que abalou as bases do pensamento filosófico, como um filosofo preocupado com a condição do homem no presente, Nietzsche procurou entender como conceitos considerados como absolutos por uma metafísica cristã, calcada em valores gregos, começa então um movimento de entender a perda de consistência dos valores absolutos, denunciando assim todas as formas de mistificação, destruindo assim os velhos ídolos e por fim, a tarefa de pensar novos valores, abrindo novos horizontes para a experiência humana.

           Colocando em etapas, Nietzsche começa destruindo a base desses valores absolutos, a metafísica platônica, que acreditava existir um bem absoluto e imutável, essencial. Nietzsche, ao colocar a questão da morte de Deus, permite pensar a verdade não mais em termos absolutos, mas sim como uma construção, bem como os conceitos de bem e mal, justo e injusto, etc. Podemos discernir então três etapas do pensamento nietzscheano, mas sempre pensando certos temas com a mesma intensidade, mudando somente o enfoque e o apoio que Nietzsche usa.
                 Na primeira fase, podemos perceber um Nietzsche preocupado com o destino da arte e cultura, influenciado por Schopenhauer e Wagner, procurava uma forma de arte livre da erudição e burocracia das artes do período, restaurando um senso trágico de arte, como uma tragédia grega, com uma postura ativa diante da existência.
                Decorre então, na vida de Nietzsche, uma ruptura com a metafísica do artista, um distanciamento da filosofia de Schopenhauer, uma desilusão quanto à obra de arte total, em suas obras seguintes, começando por Humano Demasiado Humano, percebe-se um rompimento com Schopenhauer e uma valorização do conhecimento cientifico como maneira de resolver os problemas que tanto lhe atormentavam, reafinando assim sua habilidade de filólogo e de psicólogo e construindo assim seu método genealógico, como um método de explicação que dissolve o absoluto, o imutável.
              A partir de Assim Falou Zaratustra, começa por assim dizer a terceira fase do pensamento nietzscheano, pensamento esse marcado pelo aparecimento de conceitos, como alem do homem, vontade de poder e o eterno retorno, conceitos fundamentais para o entendimento da obra de Nietzsche. Zaratustra, escrito como um evangelho, escrito em linguagem belíssima e cheia de figuras de linguagem e recursos linguísticos, não obteve a recepção esperada, para tanto, Nietzsche escreveu Para Alem do Bem e do Mal, acompanhado de Para Genealogia da Moral como uma tentativa de explicação para os termos utilizados em Zaratustra, negando todo positivismo como forma de explicação dos fenômenos da natureza, restando somente à vontade de poder como forma de explicação. 
              A verdade, em Nietzsche, é uma ilusão. É uma enganação que tomamos como valor de verdade e serve para manter nossos corpos adestrados, já que ela é aquilo que trava nossas ações, que pontua nossos julgamentos e que define o que vale a pena ser levado a sério. A verdade é, também, aquilo que parte dos “fortes”, é fruto de sua vontade de potência, ou seja, de seu impulso em exercer poder, em viver, em agir sem a sujeição às regras morais. Ou seja, a verdade é uma imposição daqueles que exercem poder.
           Nietzsche, diz, no ensaio “Sobre Verdade e Mentira no Sentido Extra-Moral“, que a verdade é aquilo que nasce para evitar a tese Hobbesiana da convivência humana no estado natural (a guerra de todos contra todos). Ela se faz, primeiramente, como uma imposição geral: a linguagem.

           Ética: A ética de Nietzsche como todo o seu pensamento surge de uma crítica e uma oposição à ética tradicional. Ela defende que o pensamento ético iniciado na Grécia com Sócrates, nega os sentidos e a vida, ao focar na razão e em ideias supremas e absolutas, que a cultura ocidental identifica como verdades. 

             
             Nietzsche chama essa ideia de moral de rebanho, onde os fracos, ressentidos, acreditam que serão recompensados em outra vida pela sua vida difícil e obediente aos princípios éticos e religiosos, enquanto os fortes, aristocratas, os senhores são identificados com o mau, àqueles que serão punidos por sua soberba e dominação. E para Nietzsche aqui temos um grande erro histórico, pois para ele o “bom” é justamente o forte, aquele que é dono de si e do seu destino, que age de acordo com a sua vontade vivendo o agora e para si.
             Lógica: O mesmo tipo de crítica faz Nietzsche a lógica. O tema aparece pouco em seus escritos, mas sempre quando aparece ela é rechaçada. Para o filósofo alemão a lógica é uma dessas verdades que a humanidade criou para se consolar dado o mistério da existência.

               É uma criação da linguagem que visa nos dar algum sentido no mundo, deixa-lo mais organizado. Mas é falsa e suas conclusões por tanto são falsas. Para ele a lógica é uma inimiga da vida, que precisa ser mais voltada aos sentidos e menos à razão.
Epistemologia: Como dito, Nietzsche não criou um sistema filosófico, e suas ideias sobre o conhecimento estão diluídas em seus diversos escritos. Entretanto, em geral, os estudiosos concordam que para o filósofo não existe a possibilidade do conhecimento, pois a verdade não está a nosso alcance. As “verdades” que conhecemos são invenções humanas e imposições da cultura. 

               Dessa forma em Nietzsche o que temos é um perspectivismo, ou seja, cada um pode dar a sua perspectiva sobre algo, sobre um fato, sobre uma ideia. É algo relativo, uma interpretação.
Metafísica: Negando a ideia de verdades e de valores supremos, Nietzsche nega à metafísica, declara inclusive que Deus está morto, querendo dizer que este tipo de conhecimento é ilusório e que essas questões não estão ao alcance do homem.

                Assim para o filósofo, metafísica e ontologia eram mais uma crença tradicional que surge com a filosofia clássica grega, cuja qual ele era um crítico ferrenho. Contra a ideia do ser e mais de acordo com sua noção de perspectivismo Nietzsche propunha a ideia de devir, de uma realidade sempre em transformação, sempre em mutação, conceito que empresar do filósofo pré-socrático Heráclito.
               Assim falou Zaratustra: Com o subtítulo de “um livro para todos e para ninguém” essa é a obra mais conhecida e influente de Nietzsche. Ela trás de uma forma poética e fictícia um apanhado geral de suas principais ideias e conceitos.

               O livro narra às aventuras de Zaratustra um profeta e filósofo que se dedica a ensinar aos homens. Entre seus ensinamentos principais está a ideia de que o homem precisa superar todos os seus valores e dar um passo além em sua evolução. Para Zaratustra o homem como o conhecemos está em um estado de transição entre o macaco e o “além-do-homem”, e seus ensinamentos seriam justamente o caminho para que o homem supere a si mesmo a vá além. 

                 O livro é uma dura crítica à civilização, a religião cristã, a moral, enfim, todos os valores milenares que compunham a cultura ocidental no século XIX, e que permanecem presentes ainda em nossos dias, mostrando que o homem ainda não se superou e ainda está distante do “além do homem” profetizado pelo controvertido filósofo alemão.
                Conclusão: Friedrich Nietzsche tem um estilo e apresentou conceitos que o fazem um filósofo único na história da filosofia. Um filósofo de difícil acesso, com um estilo bastante erudito, mas que conseguiu pensar e propor ideias que dizem respeito a toda a sociedade, grupos e classes sociais. 

Um filósofo que ainda suscita muitos debates e tem aspectos de sua filosofia um pouco incompreendidos, que trás trechos polêmicos e ideias que continuam ousadas ainda na segunda década do século XXI, mais de 100 anos depois de sua trágica morte. 

              Um dos pensadores mais influentes do século passado e que tudo indica continuará a ser muito influente por muitos e muitos anos. Uma leitura obrigatória, mesmo aqueles que não se interessam pela filosofia. Pois Nietzsche, como ele mesmo disse filosofava com um martelo, e suas ideias batem forte em nossas cabeças, e são capazes de fazer estragos grandes e abrir nossas mentes para mundos novos e perspectivas inéditas, como poucos homens foram capazes de fazer.
Bibliografia

MARTON, S. Nietzsche: das forças cósmicas aos valores humanos. São Paulo: Brasiliense, 1990.
NIETZSCHE, F. Genealogia da moral. Tradução de Paulo Cesar Sousa. São Paulo: Companhia de bolso, 2009.
Mondin, Battista. Curso de Filosofia, Vol. 3, 6ª edição. São Paulo: Paulus, 1883.
Nietzsche, Friedrich. Assim Falou Zaratustra, 1ª edição. São Paulo: Editora: Martin Claret, 2002.

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terça-feira, junho 13, 2017

O ESPÍRITO LIVRE EM NIETZSCHE

“[...]Pois o que é liberdade? O fato de se ter a vontade de se responsabilizar por si próprio. O fato de se suster a distância que nos distingue. O fato de se tornar indiferente à fadiga, à rigidez, à privação, mesmo à vida. O fato de se estar preparado para sacrificar os homens pela coisa sua, sem deixar de contar a si mesmo neste sacrifício. Liberdade significa: os instintos viris, alegres na guerra e na vitória se apoderaram dos outros instintos - por exemplo, o instinto de ‘felicidade’. O homem que se tornou livre, e muito mais ainda o espírito que se tornou livre pisa sobre o modo de ser desprezível do bem-estar, com o qual sonham o comerciante, o cristão, a vaca, a mulher, o inglês e outros democratas. O homem livre é guerreiro. - A partir de que critério se mensura a liberdade dos indivíduos, assim como dos povos? A partir da resistência que precisa ser superada, a partir do esforço que custa para permanecer em cima. [...]
[...]temos de precisar ser fortes: senão nunca nos tornamos fortes. - Aquelas grandes estufas para uma espécie humana forte, para a mais forte das espécies humanas que até hoje existiu, aquelas coletividades aristocráticas à moda de Roma e de Veneza entendiam a liberdade exatamente no mesmo sentido que eu compreendo esta palavra: enquanto algo que se tem e não se tem, que se quer, que se conquista...”
(Friedrich Nietzsche) Crepúsculo dos Ídolos, Passatempos Intelectuais, §38

sexta-feira, abril 14, 2017

PENSAMENTO CRÍTICO O QUE É? (o presente texto nasce de uma conversa com um amigo jornalista, que me pediu para falar de pensamento crítico numa perspectiva filosófica).


O pensamento crítico é a competência de questionar e analisar de modo autônomo reflexivo qualquer assunto. É racional com os exames, sempre propositado sobre o que, ou em que acreditar ou o que fazer em resposta a uma observação, a uma informação, julga as expressões verbais, julga as expressões escritas, ou argumentativas conceituais. O pensamento crítico é inconformado com o pensamento arbitrário Chamado também por outros, de senso crítico. A palavra “crítica” vem do Grego “kritikos”, significando “a capacidade de fazer julgamentos e emitir seu parecer”.
O Pensamento crítico requer alguns procedimentos:
Não se baseia em opiniões, imaginação, crenças ou no ouvi dizer, me falaram, me contaram, ou fiquei sabendo. Não se fundamenta em emoções, em sensacionalismo. Confronta , analisa , investiga, duvida, põe em prova os fatos analisados e questiona o modo como se constrói uma informação e o modo como se transmite qualquer suposto conhecimento. Quem usa pensamento crítico fica chato, intragável ou é considerado como inteligente ou cético inveterado. Não se permite fácil ao convencimento ante qualquer argumento. Não se conforma, com pensamentos prontos e acabados sem que ele mesmo não ponha a prova o pensamento imposto.
Prioriza encontrar meios funcionais de resolução para analisar, julgar, e emitir o parecer do que foi examinado. Ordena os precedentes e enunciados na investigação e resolução de qualquer que seja a questão a ser pensada. Interpreta pela lógica os dados transmitidos, avalia as evidencias e pondera as formas dos argumentos.
Julga, avalia o uso da linguagem e os mecanismos constituintes da forma de se pensar, escrever, ou de comunicar-se.
Reconhece a existência, ou não existência de relação lógica entre as proposições;
Desconstrói padrões ou crenças baseados em fatos imprecisos, parciais tendenciosos com relevâncias particulares.
Examina cuidadosamente as conclusões e generalizações às quais chegou.
O pensamento crítico é uma ação persistente no empenho de examinar qualquer conceito, noticia, informação, crença ou suposta forma de conhecimento sob a luz de evidências racionais conclusivas que as suportam. As conclusões as quais o pensador crítico produz acena para uma precisão, com clareza, discernimento e confiabilidade. Ele se torna raro e fica temido.
O critério de definir o que é pensamento crítico ou senso crítico tem recebido, com o passar dos tempos, várias definições. Vejamos algumas delas:
"Processo intelectual de conceituação ativa, aplicação, análise, síntese, e/ou avaliação de informações reunidas por observações, experiências, reflexões, raciocínios ou comunicações, como condição para crenças e ações; processo de decisão, juízo autorregulatório, que usa considerações de juízo para evidências e contextos, observações dos conceitos, das ações os métodos e critérios.
O pensamento crítico inclui observação, interpretação, análise, inferência, avaliação, explicação argumentativa e evidências através de observação.
Critérios de relevância para julgar, procedimentos para formar juízos, a capacidade teórica aplicável para entender os problemas e as questões presentes de acordo com o cada contexto". O pensamento crítico emprega não apenas lógica, mas vasto critério intelectual, como clareza, precisão, prontidão, relevância, profundidade, amplitude, significância e coerência. Contudo, o pensamento crítico não tem como finalidade transmitir uma visão pessimista do contexto nem apresentar uma tendência a achar imperfeições e erros em tudo. Sua proposta não é modificar a mentalidade dos indivíduos e sim,fazer ver com um olhar não costumeiro do que é o óbvio. Seu propósito é impedir a padronização e a passividade no modo de pensar e de avaliar os fatos.
Por isso duvidar das origens das notícias, questionar informações, confrontar fatos, ajuizar argumentos, examinar conceitos prontos, ponderar ideias e até usar um grau de ceticismo; em si são condições do pensamento crítico. Daí a necessidade da utilização do pensamento  critico. Ainda mais com noticias procedentes muitas vezes da mídia, por elas quase sempre podem desvirtuar o real. O princípio máximo deste pensamento é questionar o que lê ou escuta e tentar chegar o mais próximo possível das informações objetivas, e com exatidão.

sábado, fevereiro 04, 2017

Nietzsche e o Estado

O Estado é o mais frio de todos os monstros frios; mente friamente e eis a mentira que escorrega da sua boca: ‘ Eu, o Estado, sou o Povo’.” Nietzsche.



O Estado é uma nação politicamente organizada, com o objetivo de regulamentar e proteger os seus cidadãos, através da promoção dos valores democráticos.
Segundo Nietzsche, o Estado foi criado com o fim de supra-valorização da sociedade, com o objetivo da conquista, do poder e de elevar a sua superioridade enquanto sociedade.
O que o levou a equipará-lo a um “monstro frio” que nasce em situações terríveis, contra o povo?

O Estado existe para muitos e devoram indistintamente, os cidadãos. Onde, no Estado, os homens procuram o dinheiro como alavanca que os há de elevar ao poder, de uns sobre os outros, arrastando-os, assim, para o abismo. Pois, o homem não existe para o Estado, mas é este que existe para o homem.

Para além do mais, o Estado identifica-se, aqui, como o Povo, que o representa como uno. Porém, o caráter pluralista da filosofia de Nietzsche impede-o de considerar que o povo seja uma entidade una, ou seja, não se pode identificar a multiplicidade, característica do meio social à unidade do Estado.

Por outro lado, Nietzsche refere que “o monstro frio” é falso e podre; «mente em todas as línguas do bem e do mal; é mentira tudo quanto ele diz e é mentira tudo quanto ele tem».

Nietzsche crítica o Estado. O qual não cumpre as suas “promessas”. E só quem está no Estado, apenas pretende poderio, dinheiro e bens materiais, colocando o interesse pessoal acima do interesse geral, o que contraria a Teoria de Justiça que deveria existir num Estado, em que ‘ o bem coletivo é superior ao bem individual’.

Em segundo lugar, o Estado não poderia ser o povo, na medida em que este não pode administrar um governo, pois, se isso acontecesse o estado era desregrado.
Infelizmente, este “monstro frio” é nosso contemporâneo, o que leva a indagar que nós somos apenas uns primatas a viver impávidos e serenos, num utópico ‘bem-estar’ e que, apenas, contemplamos passivamente tudo aquilo que nos rodeia. Mesmo sabendo que é com a comunicação, com as relações livres entre cidadãos e com a contraposição que o conhecimento se alarga, permitindo um desenvolvimento na sociedade em geral, criando, assim, um bem-estar real . 


Promessa, Esquecimento e divida em NIETZSCHE


A capacidade da relação entre promessa e esquecimento é conceituada por Nietzsche, como a condição de que a capacidade do homem em fazer promessas é uma ação contraria a própria natureza humana e o esquecimento encontra-se oposto a tal capacidade. A relação entre promessa e esquecimento origina-se na construção da memória. A questão de partida para a análise desse tema é a ação que se conjetura no ato de prometer, já que a promessa passa pelo crivo da lembrança, ela retira do ser humano a competência de esquecer e instala as primeiras condições do pensamento causal, pois distingue o casual do imprescindível, consolidando, portanto, o relacionamento entre a decisão da vontade e sua manifestação através da ação. Como efeito, nasce a necessidade de impedir a ação da força devoradora do esquecimento. Para Nietzsche, o esquecimento caracteriza-se por ser uma ação afirmativa, segundo ele,
[...] esquecer não é uma simples força inercial, como creem os superficiais, mas uma força inibidora ativa, positiva no mais rigoroso sentido, graças à qual o que é por nós experimentado, vivenciado, em nós acolhidos não penetra mais em nossa consciência. (NIETZSCHE, Genealogia da moral 2009a, II. p.43).

quinta-feira, fevereiro 02, 2017

O preocupante problema da verdade em tudo o que ouvimos ou lemos.


Uma das atividades da filosofia é duvidar da verdade e questionar as certezas.
A verdade na filosofia é colocada em xeque e por vezes desacreditada. O Filosofo que mais bateu na verdade foi Friedrich Nietzsche, vejamos o que ele disse: “O que é a verdade, portanto? Um batalhão móvel de metáforas, metonímias, antropomorfismos, enfim, uma soma de relações humanas, que foram enfatizadas poética e retoricamente, transpostas, enfeitadas, e que, após longo uso parecem a um povo sólido, canônico e obrigatório”.
A verdade na atividade filosófica é investigada e depois de passar pelo crivo da razão e da atestação dos fatos confrontados ela anunciada não como absoluta, mas para ser avaliada e depois definir se o fato é verdade ou não. Nem tudo que ouvimos ou lemos é de fato verdadeiro. Por outro lado também sabemos que não é bom confundir a verdade com a opinião da maioria. Como no dizer de Giordano Bruno: "É a prova de uma mente inferior o desejar pensar como as massas ou como a maioria, somente porque a maioria é a maioria. A verdade não muda porque é, ou não é acreditada por uma maioria das pessoas". Entretanto o problema está em que a verdade é como um cristal com muitos lados que pode ser analisado de diferentes perspectivas. A minha verdade não será igual a sua, porque eu vejo o mundo através da minha experiência particular, das minhas cognições e das minhas tendências. Nem tudo que ouvimos é verdade, mas costuma-se dizer que a verdade sempre triunfa por si mesma, pois o que não é verdade necessita de muitos cúmplices. A filosofia busca a verdade e não é dona dela. Há ainda conceitos e atitudes de principio filosóficos que duvidarão sempre do conceito do que é Verdade. É o caso dos céticos, somos sabedores de que o ceticismo é a incredulidade da verdade. Aquele indivíduo que tem predisposição e coragem para duvidar da verdade é chamado de cético. Para a corrente filosófica conhecida como relativismo a verdade é relativa, ou seja, não existe uma verdade absoluta que se aplique no plano geral. Assim, a verdade pode se aplicar para algumas pessoas e para outras não, pois depende da perspectiva e contexto de cada um. Existe a verdade por correspondência é aquela que é verdade todo o tempo e em todos os lugares e que os fatos se constatam por si mesmos. É exatamente o que é verdade para uma pessoa é verdade para todos. Ex: Todos precisam de ar para respirar. As pessoas não podem viver ao mesmo tempo no passado e no futuro. A lua está distante da terra, um tiro de arma de fogo pode matar e etc.
Entretanto o que é verdade, como é onde encontrar? Como posso saber o que é de fato verdadeiro? A reposta tem que se dada pelo próprio sujeito que vive em busca da verdade.
Uma das características do ser humano é a busca permanente pela verdade, é o desejo de comprovar a veracidade dos fatos e de distinguir o verdadeiro do falso e que frequentemente nos coloca dúvidas no que nos foi ensinado. A busca pela verdade surge logo na infância e ao longo da vida, estamos sempre questionando as verdades estabelecidas pela sociedade e a filosofia tem na investigação da verdade o seu maior valor. Busque a vossa verdade e não a verdade dos outros e se a verdade dos outros for verdade para você, que seja com sua investigação e não o ouvi falar.


sexta-feira, janeiro 06, 2017

A Indagação das Causas e dos Princípios


Visto que esta ciência (a filosofia) é o objeto das nossas indagações, examinemos de que causas e de que princípios se ocupam a filosofia como ciência; questão que se tomará muito mais clara se examinarmos as diversas ideias que formamos do filósofo. Em primeiro lugar, concebemos o filósofo principalmente como conhecedor do conjunto das coisas, enquanto é possível, sem, contudo possuir a ciência de cada uma delas em particular. Em seguida, àquele que pode alcançar o conhecimento de coisas difíceis, aquelas a que só se chega vencendo graves dificuldades, não lhe chamaremos filósofo? De fato, conhecer pelos sentidos é uma faculdade comum a todos, e um conhecimento que se adquire sem esforço em nada tem de filosófico. Finalmente, o que tem as mais rigorosas noções das causas, e que melhor ensina estas noções, é mais filósofo do que todos os outros em todas as ciências. E, entre as ciências, aquela que se procura por si mesma, só pelo anseio do saber, é mais filosófica do que a que se estuda pelos seus resultados; assim como a que domina as mais é mais filosófica do que a que se encontra subordinada a qualquer outra. Não, o filósofo não deve receber leis, mas sim dá-las; nem é necessário que obedeça a outrem, mas deve obedecer-lhe o que seja menos filósofo. 
(...) Pois bem: o filósofo que possuir perfeitamente a ciência do geral tem necessariamente a ciência de todas as coisas, porque um homem em tais circunstâncias sabe, de certo modo, tudo quanto está compreendido sob o geral. Todavia, pode dizer-se também que se toma muito difícil ao homem alçar-se aos conhecimentos mais gerais; as coisas que são seus objetos como que estão mais distantes do alcance dos sentidos. (...) De tudo quanto dissemos sobre a própria ciência resulta a definição da filosofia que procuramos. É imprescindível que seja a ciência teórica dos primeiros princípios e das primeiras causas, porque uma das causas é o bem, a razão final. E que não é uma ciência prática, prova-o o exemplo dos que primeiramente filosofaram. O que, a princípio, levou os homens a fazerem as primeiras indagações filosóficas foi como é hoje, a admiração. Entre os objetos que admiravam e que não podiam explicar, aplicaram-se primeiro aos que se encontravam ao seu alcance; depois, passo a passo, quiseram explicar os fenômenos mais importantes; por exemplo, as diversas fases da Lua, o trajeto do Sol e dos astros e, finalmente, a formação do universo. Ir à procura duma explicação e admirar-se é reconhecer que se ignora. (...) Portanto, se os primeiros filósofos filosofaram para se libertarem da ignorância, é evidente que se consagraram à ciência para saber, e não com vista à utilidade.

Aristóteles, in 'Metafísica’.

sábado, outubro 29, 2016

Nietzsche - Loucura e Sabedoria.


_Friedrich Nietzsche em sua obra Ecce Homo, intitula seus capítulos do seguinte modo : "Por que sou tão finalista?", "Por que sou tão sábio?", "Por que sou tão inteligente?", "Por que escrevo livros tão bons?". Tal conduta levou muitos a considerarem sua obra como fora do norrmal e desqualificada por sua loucura. Esse conceito, contudo, revela um superficial juízo do seu pensamento. Para entendê-lo é indispensável colocar-se dentro do próprio âmago de sua concepção filosófica: Nietzsche inverteu o sentido tradicional da filosofia, fazendo dela um discurso ao nível da patologia e considerando a doença "um ponto de vista" sobre a saúde e vice-versa. Para ele, nem a saúde, nem a doença são entidades; a fisiologia e a patologia são uma única coisa; as oposições entre bem e mal, verdadeiro e falso, doença e saúde são apenas jogos de superfície. Há uma continuidade, diz Nietzsche, entre a doença e a saúde e a diferença entre as duas é apenas de grau, sendo a doença um desvio interior à própria vida; assim, não há fato patológico. Friedrich Nietzsche.
A loucura não passa de uma máscara que esconde alguma coisa, esconde um saber fatal e: "demasiado certo". A técnica utilizada pelas classes sacerdotais para a cura da loucura é a "meditação ascética", que consiste em enfraquecer os instintos e expulsar as paixões; com isso, a vontade de potência, a sensualidade e o livre florescimento do eu são considerados "manifestações diabólicas". Mas, para Nietzsche, aniquilar as paixões é uma "triste loucura", cuja decifração cabe à filosofia, pois é a loucura que torna mais plano o caminho para as ideias novas, rompendo os costumes e as superstições veneradas e constituindo uma verdadeira subversão dos valores. Para Nietzsche, os homens do passado estiveram mais próximos da ideia de que onde existe loucura há um grão de gênio e de sabedoria, alguma coisa de divino: "Pela loucura os maiores feitos foram espalhados foram espalhados pela Grécia". Em suma, aos "filósofos além de bem e mal", aos emissários dos novos valores e da nova moral não resta outro recurso, diz Nietzsche, a não ser o de proclamar as novas leis e quebrar o jugo da moralidade, sob o travestimento da loucura. É dentro dessa perspectiva, portanto, que se deve compreender a presença da loucura na obra de Nietzsche. Sua crise final apenas marcou o momento em que a "doença" saiu de sua obra e interrompeu seu prosseguimento. As últimas cartas de Nietzsche são o testemunho desse momento extremo e, como tal, pertencem ao conjunto de sua obra e de seu pensamento. A filosofia foi, para ele, a arte de deslocar as perspectivas, da saúde à doença, e a loucura deveria cumprir a tarefa de fazer a crítica escondida da decadência dos valores e aniquilamento: "Na verdade, a doença pode ser útil a um homem ou a uma tarefa, ainda que para outros signifique doença... Não fui um doente nem mesmo por ocasião da maior enfermidade".

quarta-feira, outubro 12, 2016

NOS BRAÇOS DE MORFEU

Morfeu na mitologia grega  é um deus alado dos sonhos noturnos –  filho de Hipnos (o Sono) e de Nix, a deusa da Noite. Se seu nome significa “forma” (morfo), e alterar-se num elemento de composição de palavras como “morfologia”, é porque ele detém o poder de tomar-se  na aparência humana, para se revelar aos mortais adormecidos.
O poeta Ovídio
43 a.C.,  Em Metamorfoses, escreve que Morfeu é:  “o mais hábil imitador da figura humana”, pois “nenhum outro reproduz com mais arte o modo de andar, a fisionomia, o timbre de voz e até as vestes e os discursos mais familiares de cada pessoa”. Morfeu vai notadamente assumir os traços de Ceix, que pereceu num naufrágio, e aparecer para sua esposa adormecida, Alcíone, para lhe pedir que encontrasse seu corpo e lhe organizasse o funeral. A ilusão é tão perfeita que, quando a esposa acorda, ela exclama: ”Eu o vi, eu o reconheci, eu o toquei (...). Era uma sombra real, a sombra manifesta de meu esposo”. No entanto, se Morfeu traz os sonhos, não é ele originalmente o deus associado ao sono.


O MITO  A expressão vinculada a Morfeu, em verdade, deriva de uma desordem entre os poderes dele e os de seu pai, Hipnos, que adormece os mortais antes de sua última viagem. Na Antiguidade, o falecimento era simbolizado pelo rapto: dois irmãos alados, Hipnos e Tânatos (a Morte), erguem os defuntos nos braços para levá-los ao mundo subterrâneo.


Na contemporaneidade , Morfeu é  vinculado  à papoula, uma planta com faculdades  soníferas. Na arte , ele é retratado volitando, preenchendo a terra de pétalas de papoula para entorpecer os mortais a mando dos deuses. Entretanto, na mitologia, veremos que “cair em seus braços” não é apenas adormecer: é imergir profundamente em outro mundo para se oferecer ao deus das quimeras noturnas e dos sonhos proféticos, pois, com uma batida de asas, Morfeu dá “forma” aos sonhos dos mortais. O vocábulo “morfina” vem também daí. Esse alcaloide de ópio é extraído da papoula, suaviza a dor e possui efeitos alucinógenos. Como se Morfeu escolhesse novo modo de manifestar-se aos seres Humanos.

quinta-feira, julho 21, 2016

Nietzsche Por Ele Mesmo ...


Embora tenha morrido em 1900, os pensamentos do filósofo Friedrich Nietzsche se mostram atuais e úteis. Aqui expomos algumas máximas de Nietzsche. Raramente erramos, se atribuirmos os atos extremos à vaidade, os médicos ao hábito, e os pequeninos ao temor. — Nietzsche De que serve um livro que não saiba levar-nos para além de todos os livros? — Nietzsche Vede, vede… êle foge dos homens… mas os homens seguem-no, porque êle corre à frente… tal como animais de rebanho! — Nietzsche Estado chama-se o mais frio de todos os monstros frios. Mente friamente, e eis aqui a mais mesquinha mentira que sai de sua boca: “Eu, o Estado, sou o Povo”. Mentira! Os que criaram os povos e suspenderam sobre eles uma fé e um amor, eram criadores: serviram à vida. Os que estendem laços ao maior número e a isso chamam Estado, destruidores: suspendem sobre eles uma espada e cem apetites. — Nietzsche Ali onde acaba o Estado, só ali começa o homem que não é supérfluo; ali começa o canto da necessidade, a melodia única, a nenhuma outra semelhança. Ali onde acaba o Estado… olhai, irmãos! Não vedes o arco-íris e a ponte do Super-homem? — Nietzsche Por longo tempo se ocultou na mulher um escravo e um tirano. É por isso que, ainda hoje, ela é incapaz de amizade e só conhece o amor. — Nietzsche O melhor amigo terá também, provavelmente, a melhor esposa, porque o bom matrimônio repousa no talento da amizade. — Nietzsche Enquanto em todos os homens produtivos o instinto é uma força afirmativa e criadora e a consciência uma força crítica e negativa, em Sócrates, o instinto torna-se crítico, e a consciência, criadora. — Nietzsche, A Origem da tragédia no espírito da música — Nietzsche, Vontade de Potência Paulo quer desvalorizar a sabedoria deste mundo: seus inimigos são os bons filólogos e médicos da escola alexandrina – a guerra é feita contra eles. De fato, nenhum homem pode ser filólogo e médico sem ao mesmo tempo ser anticristo. O filólogo vê por detrás dos livros sagrados, o médico vê por detrás da degeneração fisiológica do cristão típico. O médico diz incurável; o filólogo diz fraude… — Nietzsche, O Anticristo A coragem mata também a vertigem à beira de abismos! E onde estará o homem senão à beira de abismos? Mesmo olhar, não será olhar abismos? (…) Mas a coragem, a coragem que ataca é o melhor dos matadores, mata a própria morte pois diz: “ISTO é a vida? Pois então, outra vez! — Nietzsche, Assim Falou Zaratustra A mesma palavra amor significa com efeito duas coisas diferentes para o homem e para a mulher. O que a mulher entende por amor é bastante claro: não é apenas dedicação, é dom total de corpo e alma, sem restrição, sem nenhuma atenção para o que quer que seja. É a ausência de condição que faz de seu amor uma profissão de fé, a única que ela tem. — Nietzsche, A Gaia Ciência Entre minhas obras ocupa o meu Zaratustra um lugar à parte. Com ele fiz à humanidade o maior presente que até agora lhe foi feito. Esse livro, com uma voz de atravessar milênios, é não apenas o livro mais elevado que existe, autêntico livro do ar das alturas […] é também o mais profundo, o nascido da mais oculta riqueza da verdade, poço inesgotável onde balde nenhum desce sem que volte repleto de ouro e bondade — Nietzsche, Ecce Homo O local amaldiçoado onde o cristianismo chocou seus ovos de basilisco deve ser demolido e transformado no lugar mais infame da Terra, constituirá motivo de pavor para a posteridade. Lá devem ser criadas cobras venenosas. — Nietzsche, O Anticristo O que alguém é começa a se revelar quando o seu talento declina – quando ele cessa de mostrar o quanto pode. O talento é também um ornamento; um ornamento é também um esconderijo. — Nietzsche O homem só muito lentamente descobre como o mundo é infinitamente complicado. Primeiramente ele o imagina totalmente simples, tão superficial quanto ele próprio. — Nietzsche, O livro do filósofo O que é grande no homem, é que ele é uma ponte e não um fim: o que pode ser amado no homem, é que ele é umpassar e um sucumbir. — Nietzsche, Assim Falou Zaratustra O que é a verdade, portanto? Um batalhão móvel de metáforas, metonímias, antropomorfismos, enfim, uma soma de relações humanas, que foram enfatizadas poética e retoricamente, transpostas, enfeitadas, e que, após longo usom parecem a um povo sólidas, canônicas e obrigatórias. — Nietzsche, Sobre Verdade e Mentira num Sentido Extra-Moral Vós olhais para cima, quando ansiais por elevação. E eu olho para baixo porque estou elevado. Quem é, entre vós, aquele que pode ao mesmo tempo rir-se e estar nas alturas? Quem sobe às mais altas montanhas ri-se de todas as tristezas, lúdicas e graves. — Nietzsche, Assim Falou Zaratustra Superai-me, ó homens superiores, as pequenas virtudes, as mesquinhas prudências, os escrúpulos ínfimos como grãos de areia, a agitação própria de formigas, o contentamento deplorável, a felicidade da maioria! E mais vale desesperardes do que render-vos. E, em verdade, gosto de vós, porque não sabeis viver nos dias de hoje, ó homens superiores. É por isso mesmo que viveis…da melhor maneira! — Nietzsche, Assim Falou Zaratustra Quem combate monstruosidades deve cuidar para que não se torne um monstro. E se você olhar longamente para um abismo, o abismo também olha para dentro de você. — Nietzsche, Para além do bem e do mal Ouve-se sempre nos escritos de um ermitão algo também do eco do ermo. — Nietzsche, Para além do bem e do mal Uma crítica da faculdade do conhecimento não tem sentido: como poderia uma ferramenta criticar a si mesma quando só pode usar a si mesma para a crítica? O homem bom também quer ser verdadeiro e crê na verdade de todas as coisas. Não só da sociedade, mas também do mundo… De fato, por que razão o mundo deveria enganá-lo? — Nietzsche, O livro do filósofo Se são anormais, não têm então nada a ver com o povo? Não é assim: o povo tem necessidade das anomalias, embora não exista por causa delas. — Nietzsche, O livro do filósofo Todo homem possui sua finalidade particular, de modo que mil direções correm, umas ao lado das outras, em linhas curvas e retas; elas se entrecruzam, se favorecem ou se entravam, avançam ou recuam e assumem desse modo, umas com relação às outras, o caráter do acaso, tornando assim impossível, abstração feita das influências dos fenômenos da natureza, a demonstração de uma finalidade decisiva que abrangeria nos acontecimentos a humanidade inteira. — Nietzsche, Da utilidade e do inconveniente da História para a vida O choque, a ação de um átomo sobre o outro, pressupõe também a sensação. Algo de estranho em si não pode agir sobre o outro. — Nietzsche, O livro do filósofo Só se escolhe a dialética quando não se tem mais nenhuma saída. — Nietzsche, O crepúsculo dos ídolos Cada partido compreende o que interessa à própria conservação não permitir que se esgote o partido o novo império, tem mais necessidade de inimigos do que de amigos: só pelo contraste é que ela começa a se sentir necessária, a tornar-se necessária. — Nietzsche, O crepúsculo dos ídolos Os grandes problemas estão na rua — Nietzsche, Aurora Já dei tudo. Nada me resta de tudo quanto tive, exceto tu, esperança! — Nietzsche Se queres elevar-te, exercita a arte de esquecer. — Nietzsche Diante da necessidade, todo idealismo é ilusão. — Nietzsche Diante do pouco prazer que basta à maioria dos homens para acharem a vida agradável, como lhes admiro a modéstia! — Nietzsche Amar e desaparecer: eis coisas que andam juntas desde a eternidade. Querer amar é também estar pronto para morrer. — Nietzsche Os insetos picam, não por maldade, mas por precisarem viver. O mesmo se dá com os críticos: querem o nosso sangue, mas não a nossa dor. — Nietzsche Os livros que agradam a todos cheiram mal; adere-se–Ihes o cheiro da plebe. Onde a plebe come e bebe, e também onde venera, há sempre mau cheiro. — Nietzsche Desejo eu aos que me interessam, o sofrimento, a solidão, a enfermidade, as perseguições, o opróbrio. Desejo que conheçam o profundo menosprezo de si próprios, o tormento da sua desconfiança, a angústia da derrota. E não os lastimo, pois que lhes desejo a coisa única capaz de demonstrar se valem ou não: a resistência. — Nietzsche Necessário se faz, quando tratamos com os homens, recorrer a uma bondosa dissimulação, como se não pudéssemos penetrar os móveis do seu procedimento. — Nietzsche O verme pisado encolhe-se. É a sua astúcia. Diminui, asam, a probabilidade de ser novamente pisado. Na língua da moral, chama-se isto humildade. — Nietzsche Se eu arrancasse os vossos véus, os vossos trapos, as vossas cores e os vossos gestos, de vós todos, restaria apenas c necessário para assustar pássaros. — Nietzsche Quando nos vemos obrigados a mudar de opinião com lespeito a um indivíduo, fazemos com que pague caro o trabalho que nos deu. — Nietzsche Dizes que uma boa causa justifica tudo, inclusive a guerra? Contesto: uma boa guerra é que justifica qualquer causa. — Nietzsche És jovem e desejas filhos e casamento. Mas eu te pergunto : és vencedor de ti próprio, és o soberano dos teus sentidos? Ou fala em ti a necessidade física, o isolamento, a discórdia contigo próprio?

terça-feira, julho 12, 2016

Filosofar é Necessário

-O ensino de filosofia ainda é pouco compreendido nas escolas, isso pelo fato de que o ensino de filosofia ficou ausente por mais de 40 anos quando nas escolas brasileiras foi banida do currículo escolar pelo regime da Ditadura Militar, e substituída por Educação Moral e Cívica. Só em junho de 2008, sob a governabilidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a filosofia voltou e se tornou matéria obrigatória no Ensino Médio das escolas de todo o país. Conceitos importantes como verdade, beleza, metafísica, liberdade, lógica, ética e política, por exemplo, são trabalhados nas aulas de filosofia. O ensino de filosofia visa estimular a reflexão e o pensamento crítico dos estudantes levando-os a pensar de modo próprio e com autonomia. A filosofia instiga a visão crítica, a leitura, os questionamentos e faz o estudante refletir um pouco mais sobre o próprio ser humano, portanto a mesma deve ser ensinada no ensino médio, pois assim o estudante não terá apenas uma disciplina a mais, terá uma disciplina que lhe beneficiará tanto escolarmente, quanto para a sua vida cotidiana. Acrescendo o fato de que, a filosofia com seu exercício da análise e a crítica tem como finalidade,o desenvolvimento do ser humano em termos de capacidade reflexiva sobre o seu contexto e de sua existência .
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quarta-feira, janeiro 13, 2016

O Filósofo, Desconstrói Para Reconstruir.

Existimos em um mundo abarrotado de pensamentos e de conceitos herdados por outros que são tidos, em grande parte, como legítimos e verdadeiros. Prosseguirmos repetindo o que nos foi ensinado e algumas vezes sem questionar. Porém, os valores e as certezas se transformam de lugar para lugar, ou de uma ocasião histórica para outra situação também histórica e dentro de cada contexto. Todo contexto histórico tem seus Emaranhados conceituais e formas de pensar consideradas como legítimas. A função do filósofo é dissipar estas convicções e abrir novos horizontes pensando em torno de perspectivas novas e originais. O filosofo duvida da verdade e questiona as certezas, além de ser um provocador do pensamento. Ele Conhece a periferia do óbvio e vai além da obviedade, se distancia do senso comum e não tem nas aparências e muito menos nas opiniões o desígnio da verdade e do conhecimento. Não tem respostas pré definidas, ou prontas e nem é dono da verdade. O filósofo quer suscitar sempre uma nova concepção da realidade que o cerca através da ação do pensar. Desconstrói os saberes prontos, quais são tidos como verdadeiros e reconstrói novas formas de olhar e pensar os saberes antigos,propondo um outro novo olhar e pensar. Essa é a função do filosofo, expor pela articulação do pensamento o refletir a existência de um modo diferente. Ter novos horizontes, buscar novas expectativas de vida e compartilhar com outros suas ideias, essa é entre outras a tarefa do filósodo.Copyright André Assis. Todos os direitos registrados e reservados...

quarta-feira, janeiro 06, 2016

A Necessidade da Filosofia


A filosofia não brota por ser útil, mas tão-pouco pela acção irracional de um desejo veemente. É constitutivamente necessária ao intelectual. Porquê? A sua nota radical era buscar o todo como um tal todo, capturar o Universo, caçar o Unicórnio. Mas porquê esse profundo anseio? Por que não nos contentamos com o que, sem filosofar, achamos no mundo, com o que já é e aí está patente diante de nós? Por esta simples razão: tudo o que é e está aí, quanto nos é dado, presente, patente, é por sua essência um mero bocado, pedaço, fragmento, coto. E não podemos vê-lo sem prever e verificar que está a menos a porção que falta. Em todo o ser que é dado, em todo o dado do mundo encontramos a sua essencial linha de fractura, o seu carácter de parte e só parte - vemos a ferida da sua mutilação ontológica, grita-nos a sua dor de amputado, a sua nostalgia do bocado que lhe falta para ser completo, o seu divino descontentamento. Há doze anos, quando eu falava em Buenos Aires, definia o descontentamento «como um amar sem amado e uma como dor que sentimos em membros que não temos». É o achar de menos o que não somos, o reconhecermo-nos incompletos e manetas. Ortega y Gasset, in 'O Que é a Filosofia?'

Para Que Serve a Filosofia?


O leitor ocupado perguntará para que serve a filosofia. Pergunta vergonhosa, que não fazemos à poética, essa outra construção imaginativa de um mundo mal conhecido. Se a poesia nos revela a beleza que os nossos olhos ineducados não vêem, e se a filosofia nos dá os meios de compreender e perdoar, não lhes peçamos mais - isso vale todas as riquezas da Terra. A filosofia não enche a nossa carteira, não nos ergue às dignidades do Estado; é até bastante descuidosa destas coisas. Mas de que vale engordar a carteira, subir a altos postos e permanecer na ignorância ingénua, desapetrechado de espírito, brutal na conduta, instável no carácter, caótico nos desejos e cegamente infeliz? A maturidade é tudo. Talvez que a filosofia nos dê, se lhe formos fiéis, uma sadia unidade de alma. Somos negligentes e contraditórios no nosso pensar; talvez ela possa classificar-nos, dar-nos coerência, libertar-nos da fé e dos desejos contraditórios. Da unidade de espírito pode vir essa unidade de carácter e propósitos que faz a personalidade e dá ordem e dignidade à vida. Filosofia é conhecimento harmónico, criador da vida harmónica; é disciplina que nos leva à serenidade e à liberdade. Saber é poder, mas só a sabedoria é liberdade. Will Durant, in "Filosofia da Vida" Estados Unidos Will Durant- 5 Nov 1885 // 7 Nov 1981 Filósofo/Historiador

sábado, dezembro 05, 2015

Introdução ao Pensamento De Giambattista Vico


A história para Vico é um fluxo evolutivo de acontecimentos que nos leva a uma razão esclarecida, mas para ele existem verdades humanas que não podem ser demonstradas através das evidências racionais como as verdades da história, da poesia, da pedagogia da medicina, do direito, da política, da arte e da moral. __Vico é um crítico da filosofia de Descartes e se diferencia dos pensadores iluministas por refletir sobre a religião e a política de forma conservadora tendo por base as teorias do passado e utilizando uma linguagem essencialmente teológica. O método racional geométrico cartesiano não nos garante a verdade dos nossos conhecimentos sobre as coisas humanas; a razão e a geometria funcionam muito bem com os números e grandezas mas não tem a capacidade de abranger e explicar as outras matérias, especialmente as humanas. O conhecimento e o entendimento sem defeitos é uma característica de Deus, a nós humanos resta um pensar limitado que vamos reunindo conhecendo algumas características dos objetos que percebemos. Nós e Deus conhecemos as coisas que fazemos, como Deus criou o objeto real ele tem o real conhecimento de tudo, nós conhecemos e criamos objetos ilusórios como a matemática que podemos entender verdadeiramente pois ela é o resultado de uma operação intelectual humana. Para Deus fazer e conhecer são a mesma coisa, para os homens não. Vico considera que Descartes errou ao acreditar que a matemática, uma criação humana, poderá entender o restante do universo que é uma criação divina. A razão é a consciência do ser, mas não o conhecimento dele. A razão humana não é a causa da existência do homem, não foi a razão que criou o meu corpo, portanto não é ela que vai entendê-lo. A razão também não é a causa da minha mente pois a nossa reflexão é um vestígio, um recurso utilizado pela mente para tentar conhecer, mas não é a totalidade da nossa mente. O pensar nos dá o conhecimento da nossa existência, mas não nos garante o conhecimento total de quem realmente somos. Giambattista diz que os filósofos e historiadores de sua época estavam fazendo da história uma invenção, uma ilusão criada para exaltar nações ou determinados personagens históricos. A história como exaltação de fatos ou personalidade não representa os princípios fundamentais do homem e da história, que é uma criação do homem. A história tem que ter uma ligação real como o homem, caso contrário ela não se sustenta nem cria tradição. O homem é o personagem principal da história porque é originalmente um ser sociável e ao se sociabilizar ele cria a história. Além de ser um animal sociável o homem é livre e por isso a história da humanidade é o resultado das escolhas dos homens de cada época. Segundo as palavras de Vico ?Enquanto animal o homem pensa somente em sua sobrevivência, mas quando cria família, tem mulher e filhos, ele busca sobreviver junto com sua cidade?. Seguindo um pensamento de Platão, Vico divide a história em três períodos: dos deuses, dos heróis e dos homens, no primeiro os homens eram ignorantes, insensatos e prevalecia a animalidade, nessa época os homens pouco ou nada usam a reflexão, estão mais ligados aos sentidos. Na época dos heróis prevalece a fantasia, a imaginação, é um período onde a força é a base da estruturação social. No período dos homens o que se destaca é a razão, nessa época os homens atingem a consciência crítica e a sabedoria. A história é o resultado também das ações divinas mas não de forma direta, para Vico a providência divina criou ideais a serem alcançados pelos homens. Ideais como justiça, verdade e o bem são objetivos que o homem tenta alcançar e tenta fazer isso de maneira livre. No estudo da linguagem, Vico acredita que o modo de falar popular testemunha com mais veracidade os costumes de um povo. Os sistemas de comunicação que perduram em uma determinada língua são a expressão mais fiel da vida dessas pessoas, razão pela qual não é possível entender uma sem compreender a outra. Copyright André Assis. Todos os direitos registrados e reservados...

quarta-feira, julho 08, 2015

O Nascimento Da Tragédia -Nietzsche

Resumo A criação artística depende de uma tensão entre duas forças opostas, que termos de Nietzsche a "apolíneo" e "dionisíaco". Apolo é o deus grego da luz e da razão, e Nietzsche identifica o apolíneo como à vida e força de forma que dá caracterizada pela contenção medida e desapego, o que reforça um forte senso de auto. Dionísio é o deus grego do vinho e da música, e Nietzsche identifica o dionisíaco como um frenesi de auto-esquecimento no qual o eu dá lugar a uma unidade primordial, onde os indivíduos estão em harmonia com os outros e com a natureza. Tanto o apolíneo e dionisíaco são necessários na criação da arte. Sem o apolíneo, o dionisíaco não tem a forma e estrutura para fazer uma obra coerente de arte, e sem o dionisíaco, o apolíneo não tem a vitalidade e paixão necessária. Embora eles sejam diametralmente opostos, eles também são intimamente interligados. Análise Nietzsche sugere que o povo da Grécia antiga era extraordinariamente sensível e suscetível ao sofrimento e que refinou o aspecto apolíneo de sua natureza para afastar o sofrimento. A unidade primordial do dionisíaco nos traz a apreensão direta do sofrimento que está no cerne de toda a vida. Por contraste, o Apolínea está associada com imagens e sonhos, e, portanto, com as aparências. Arte grega é tão bonito, precisamente porque os gregos basearam-se nas aparências gerados por imagens e sonhos para proteger-se da realidade do sofrimento. O período inicial, dórico da arte grega é maçante e primeiro porque a influência apolínea demasiado supera o dionisíaco. As tragédias gregas de Ésquilo e Sófocles, que Nietzsche considera a estar entre maiores conquistas da humanidade, alcançar os seus efeitos sublimes por domar as paixões dionisíacas por meio do apolíneo. Tragédia grega evoluiu a partir de rituais religiosos que caracterizam um coro de cantores e dançarinos, e alcançou sua forma distintiva quando dois ou mais atores se para além do coro como atores trágicos. O coro de uma tragédia grega não é o "espectador ideal", como acreditam alguns estudiosos, mas sim a representação da unidade primordial conseguido através do dionisíaco. Ao presenciar a queda de um herói trágico, testemunhamos a morte do indivíduo, que é absorvida de volta para a unidade primordial dionisíaco. Porque os impulsos apolíneo das tragédias gregas darem forma aos rituais dionisíacos de música e dança, a morte do herói não é um ato destrutivo negativo, mas sim uma afirmação positiva, criativa da vida através da arte. Infelizmente, a idade de ouro da tragédia grega durou menos de um século e foi levado a um fim pela influência combinada de Eurípides e Sócrates. Eurípides evita tanto a unidade primordial induzida pelo dionisíaco e o estado de sonho induzido pelo apolíneo, e ao invés disso ele transforma o palco grego em uma plataforma para a moralidade e racionalidade. Ao invés de apresentar heróis trágicos, Eurípides dá seus personagens todas as fraquezas dos seres humanos comuns.Em todos estes aspectos, Nietzsche vê influência de Sócrates em Eurípides. Sócrates efetivamente inventou racionalidade ocidental, insistindo que deve haver razões para justificar tudo.Ele interpretou o instinto como uma falta de discernimento e irregularidades como a falta de conhecimento. Ao fazer o mundo parecer cognoscível e todas as verdades justificáveis, Sócrates deu à luz a visão científica do mundo. Sob a influência de Sócrates, a tragédia grega foi convertido em conversa racional, que encontra a sua expressão máxima nos diálogos de Platão. O mundo moderno herdou postura racionalista de Sócrates à custa de perder os impulsos artísticos relacionados com o apolíneo e do dionisíaco. Agora vemos o conhecimento como vale a pena perseguir para seu próprio bem e acredito que todas as verdades podem ser descobertas e explicadas com discernimento suficiente. Em essência, a visão de mundo moderna, socrática, racional, científica trata o mundo como algo sob o comando da razão, em vez de algo maior do que aquilo que os nossos poderes racionais podem compreender. Nós habitamos um mundo dominado por palavras e lógica, que só pode ver a superfície das coisas, enquanto evitando o mundo trágico de música e drama, que corta o coração das coisas. Nietzsche distingue três tipos de cultura: a de Alexandria, ou socráticos; o Helênico ou artística; e o budista, ou trágico. Nós pertencemos a uma cultura alexandrina que está vinculado para a auto-destruição. A única maneira de resgatar a cultura moderna de autodestruição é ressuscitar o espírito da tragédia. Nietzsche vê esperança na figura de Richard Wagner, que é o primeiro compositor moderno para criar uma música que expressa os anseios mais profundos da vontade humana, ao contrário da maioria ópera contemporânea, que reflete a pequenez da mente moderna. A música de Wagner foi antecipada por Arthur Schopenhauer, que viu a música como uma linguagem universal que faz todo o sentido da experiência em um nível mais primário do que conceitos e Immanuel Kant, cuja filosofia expõe as limitações do raciocínio socrático. Não por coincidência, Wagner, Schopenhauer e Kant são todos alemães, e Nietzsche olha para a cultura alemã para criar uma nova era de ouro. Nós não temos conhecimento direto do mito mais, mas sempre mediar o poder do mito através de vários conceitos racionalistas, como a moralidade, justiça e história. Até agora, a grande influência da cultura grega tem feito muito pouco para mudar a oposição de nossa própria cultura à arte, porque temos a tendência de interpretar os gregos de acordo com nossos próprios padrões e ler tragédias como expressões de forças racionais morais ao invés de expressões das forças míticas do apolíneo e do dionisíaco. Mito nos dá um sentimento de admiração e uma plenitude de vida que nossa cultura atual não tem. Nietzsche pede um retorno ao nosso eu mais profundo, que se entrelaçam em mito, música e tragédia. Conclusão Conceito do dionisíaco, que ele afina e altera ao longo de sua carreira de Nietzsche, se destaca como um contrapeso pontiagudo para a racionalidade profunda que é tão proeminente na maior parte da filosofia. Na maioria das investigações acadêmicas, a importância da verdade e do conhecimento é tida como dados, e pensadores se preocupam somente sobre questões de como melhor forma de alcançar a verdade e o conhecimento. Por outro lado, as questões de Nietzsche em que esta unidade da verdade e do conhecimento vem e respostas que são produtos de uma visão socrática particular do mundo. Mais profundo do que este impulso para a verdade é o impulso dionisíaco de dar livre curso às paixões e perder-se em frenesi de êxtase. Não podemos adequadamente apreciar ou criticar o dionisíaco de dentro de uma tradição da racionalidade, porque o dionisíaco está fora racionalidade. Por mais que o mundo civilizado pode querer negar, o dionisíaco é a fonte de nossos mitos, nossas paixões e os nossos instintos, nenhum dos quais são delimitadas pela razão. Enquanto a força civilizadora do apolíneo é essencial contra peso contrário de alguns estereótipos de Nietzsche, ele é firmemente contra o abandono completo da razão e da civilização - Nietzsche adverte que perdemos os aspectos mais profundos e mais ricos de nossa natureza se nós rejeitamos as forças dionisíacas dentro de nós. Para Nietzsche, a arte não é apenas uma forma de atividade humana, mas sim a mais alta expressão do espírito humano. O impulso do livro está bem expresso no que é talvez a sua mais famosa frase, perto do final do capítulo 5: "é só como fenômeno estético que a existência e o mundo justificar-se eternamente." Uma das preocupações de Nietzsche em O Nascimento da Tragédia é abordar a questão da melhor posição para levar para a existência e para o mundo. Ele critica sua idade (embora suas palavras sejam igualmente aplicáveis aos dias de hoje) por ser excessivamente racionalista, para assumir que são melhor para tratar a existência e o mundo principalmente como objetos de conhecimento. Para Nietzsche, essa postura torna a vida sem sentido, pois o conhecimento e racionalidade em si não fazem nada para justificar a existência e do mundo. A vida encontra significado, de acordo com Nietzsche, só através da arte. Arte, música e tragédia, em especial, levar-nos a um nível mais profundo de experiência do que a filosofia e a racionalidade. Existência e o mundo se tornam significativos e não como objetos de conhecimento, mas como experiências artísticas. De acordo com Nietzsche, a arte não encontrar um papel no contexto mais amplo da vida, mas a vida tem sentido e significado somente como está expresso no art. “Ao atacar Sócrates, Nietzsche ataca de forma eficaz toda a tradição da filosofia ocidental. Enquanto um grupo significativo de filósofos gregos anteriores Sócrates, a filosofia geral, identifica o seu início como uma disciplina distinta no método da dúvida, do diálogo e investigação racional de Sócrates. Enquanto Nietzsche reconhece que Sócrates deu à luz a uma nova e distinta tradição, ele está mais interessado na tradição que Sócrates conseguiu substituir. Tragédia grega como Nietzsche entende que não podem coexistir em um mundo de racionalidade socrático. Tragédia ganha sua força de expor as profundezas que se encontram abaixo da superfície nosso racional, enquanto Sócrates insiste que nos tornamos plenamente humanos apenas por se tornar totalmente racional. De Sócrates a frente, a filosofia tem sido a busca de sabedoria por métodos racionais. Ao sugerir que os métodos racionais não pode chegar às profundezas da experiência humana, Nietzsche sugere que a filosofia é uma busca superficial. A verdadeira sabedoria não é o tipo que pode ser processado pela mente pensante, de acordo com Nietzsche.Nós encontramos a verdadeira sabedoria na dissolução dionisíaca do auto que encontramos na tragédia, mito e música. Nietzsche escreveu O Nascimento da Tragédia no momento em que ele estava mais fortemente sob a influência de Wagner. Nietzsche tinha encontrado Wagner como um homem jovem e estava profundamente honrado quando Wagner escolheu para ser seu amigo. Wagner impressionou seus próprios pontos de vista sobre a vida e a arte em Nietzsche, e O Nascimento da Tragédia é, em muitos aspectos, uma justificativa filosófica para o trabalho Wagner estava realizando em suas óperas. Ao longo da década de 1870, no entanto, tornou-se cada vez mais desiludidos Nietzsche com Wagner, e seus trabalhos maduros, começando com Humano, demasiado humano, mostrar Nietzsche encontrar sua própria voz inconfundível, livre da influência de Wagner. Em particular, Nietzsche tornou-se revoltado com raso nacionalismo pró-alemão de Wagner e seu anti-semitismo. Em contraste com ataques mordazes posteriores de Nietzsche sobre o nacionalismo, O Nascimento da Tragédia carrega a influência de Wagner em seu orgulho na cultura alemã e sua esperança de que a cultura alemã purificado pode salvar a civilização européia da influência mortal do racionalismo socrático.”(1) Um quadro das distinções corriqueiramente apresentadas entre Apolo e Dioniso, embora não retratem “verdadeiramente” suas essências, podem ser descritas da maneira que segue. Apolo: Bela Aparência; Sonho; Forma (limite); Princípio de individuação; Resplandecente; Ordem; Serenidade; etc. Dioniso: Música; Embriaguez; Uno Primordial (não há forma, sem limite); Indiferenciação; Essência; Desmedida; Domínio Subterrâneo; etc. “O homem constitui um elo com o mundo. Não deveríamos nos afastar dessa realidade que era vivenciada na época antiga. “O Nascimento da tragédia” apresentado por Nietzsche parece prever o que ocorreria com o homem do 1º século depois de esse livro ser publicado, hoje o homem evita toda a finitude e a “realidade” que é mostrada na tragédia grega. O homem dos nossos dias não aceita sofrer, não enfrentar a dor, não aceita a angústia, procura afastar-se de “todo mal” através de medicamentos e mais “medicamentos”, foge de tudo e de todos, utiliza-se de um movimento desenfreado, da agitação, das “atividades”, evita a solidão, não dá tempo para si próprio, tem medo do “real;” e o pior é que a “normalidade” da sociedade é uma loucura assustadora. A propósito: Quem é “louco”? Quem é “sano”?(2) “Outra questão está ligada ao conhecimento, há uma diferenciação entre o conhecimento trágico (dos pré-socráticos) e o conhecimento racional (em Sócrates). No “conhecimento” racional valoriza-se a causalidade e o efeito, a causa e efeito não apareciam nos pré-socráticos como aparecem na contemporaneidade, mas eram imanentes, eram intrínsecas à natureza. O conhecimento racional vai se colocar acima da Arte e da Vida, e pior, começa a julgá-las. A partir de Sócrates e de Eurípides a instância mais importante passa a ser o “conhecimento” e não mais a “arte”. Platão depois vai dizer que a “arte” é apenas uma cópia da cópia (nosso mundo) de um “original” que estaria no mundo das ideias (o mundo supra-sensível)”.(3) “Com todo esse processo perdemos algo especial que vinha dos gregos originais, entre essas perdas estão o sentido de pertencimento e Valor absoluto da natureza, Conforme comenta “Brockelman:(4) “Apolíneo-dionisíaco é uma expressão relativa ao que vem dos deuses: Apolo e Dioniso – expressão popularizada e tratada por Nietzsche como um contraste no livro ‘O nascimento da tragédia”, entre o espírito da ordem, da racionalidade e da harmonia intelectual, representado por Apolo, e o espírito da vontade de viver espontânea e extasiada, representado por Dioniso. Conforme diz Blackburn no verbete apolíneo/dionisíaco.(5)_ _NOTAS BIBLIOGRÁFICAS_ 1. FURTAK , Anthony Rick. O nascimento da tragédia, Revista de Filosofia, vol.52 nº.123 Belo Horizonte- 2011 2. ANDREETA, José Pedro. Quem se atreve a ter certeza? . Ed. São Paulo: Mercuryo, 2004. 3. ABBAGNANO, Nicola. Dicionário de filosofia. 5. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2007. 4. BROCKELMAN, Paul. Cosmologia e criação: a importância espiritual da cosmologia contemporânea. 1. ed. São Paulo: Edições Loyola, 2001. 5. BLACKBURN, Simon. Dicionário Oxford de Filosofia. 1. ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed. 1997. Copyright André Assis. Todos os direitos registrados e reservados...