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domingo, junho 07, 2015
Com A Palavra o Filósofo__________________________ Sêneca
___Um é levado a destruir o outro por um ligeiro ganho, ninguém obtém lucro senão com o dano de outrem, odeiam quem é feliz, desprezam o infeliz, não suportam alguém superior, oprimem o inferior, são incitados por desejos diversos, querem que tudo se arrase em troca de um leve prazer ou espólio.Sua vida não é diferente da dos que convivem e lutam com os mesmos parceiros numa escola de gladiadores. É esse um agrupamento de feras, com a diferença de que elas são mansas entre si e se abstém de morder seus semelhantes, já eles são saciados pela mútua laceração. Somente nisto diferem dos animais: no fato de que estes se tornam mansos com quem os alimenta, e a raiva dos homens devora exatamente quem os nutriu.
(Séneca, in "Sobre a Ira")
Em Labirintos Do Pensamentos exponho breves ensaios Hermenêuticos, Filosóficos e Lacônicas Reflexões e outros textos de não minha autoria estarão enriquecendo nosso Blog. Bom Proveito a Todos .
sábado, junho 06, 2015
*Uma história que vem da África*
_________________Prof. James Aggrey
Era uma vez um político, também educador popular, chamado James Aggrey: Ele era natural de Gana, pequeno país da África Ocidental. Até agora, talvez, um ilustre desconhecido. Mas, certa feita, contou uma história tão bonita que, com certeza, já circulou pelo mundo, tornando seu autor e sua narração inesquecíveis.
Como muitas pessoas provavelmente não tiveram a oportunidade de ler sua história, nem de conhecer seu país, vamos inicialmente falar um pouco de Gana e relembrar aquela história. Gana está situado no Golfo da Guiné, entre a Costa do Marfim e o Togo. Sua longa história vem do século IV. Alcançou o apogeu entre 700 e 1200 de nossa era. Naquela época havia tanto ouro que até os cães de raça usavam coleiras e adornos com esse precioso metal.
No século XVI Gana foi feita colônia pelos portugueses. E por causa do ouro abundante chamaram-na de Costa do Ouro. Outros, como os traficantes de escravos, denominavam-na também de Costa da Mina.
No século XVIII, época do chamado ciclo da Costa da Mina, vieram dessa região, especialmente para a Bahia, cerca de 350 mil escravos. Com eles vieram e foram incorporados muitos elementos de sua cultura. O uso medicinal das folhas (ewé) que curam somente quando acompanhadas de palavras mágicas e de encantamento. E sua religião, o ioruba ou o candomblé, que possui uma das teologias mais fascinantes do mundo. Faz de cada pessoa humana uma espécie de Jesus Cristo, quer dizer, um virtual incorporador dos orixás, divindades ligadas à natureza e às suas energias vitais.
Os escravos eram negociados em troca de fumo de terceira. Refugado por Lisboa, esse fumo era muito apreciado na África por causa de seu perfume. Dizia-se até: “a Bahia tem fumo e quer escravos; Costa da Mina tem escravos e quer fumo; portanto, façamos um negócio que é bom para os dois lados”. A maioria dos escravos das plantações de cana-de-açúcar nos Estados Unidos vieram também da região de Gana.
A pretexto de combater a exportação de escravos para as Américas, a
Inglaterra se apoderou desta colônia portuguesa. De início, em 1874, ocupou a costa e, em seguida; em 1895, invadiu todo o território. Gana perdeu assim a liberdade, tomando-se apenas mais uma colônia inglesa.
A libertação começa na consciência
A população ganense sempre alimentou forte consciência da ancestralidade de sua história e muito orgulho da nobreza de suas tradições religiosas e culturais. Em conseqüência, foi constante sua oposição a todo tipo de colonização. James Aggrey; considerado um dos precursores do nacionalismo africano e do moderno pan-africanismo, fortaleceu significativamente este sentimento.
Ele teve grande relevância política como educador de seu povo. Para libertar o país – pensava ele à semelhança de Paulo Freire – precisamos, antes de tudo, libertar a consciência do povo. Ela vem sendo escravizada por idéias e valores antipopulares, introjetados pelos colonizadores.
Com efeito, os colonizadores, para ocultar a violência de sua conquista, impiedosamente desmoralizavam os colonizados. Afirmavam, por exemplo, que os habitantes da Costa do Ouro e de toda a África eram seres inferiores, incultos e bárbaros. Por isso mesmo deviam ser colonizados. De outra forma, jamais seriam civilizados e inseridos na dimensão do espírito universal.
Os ingleses reproduziam tais difamações em livros. Difundiam-nas nas escolas. Pregavam-nas do alto dos púlpitos das igrejas. E propalavam-nas em todos os atos oficiais. O marte lamento era tanto que muitos colonizados acabaram hospedando dentro de si os colonizadores com seus preconceitos. Acreditaram que de fato nada valiam. Que eram realmente bárbaros, suas línguas, rudes, suas tradições, ridículas, suas divindades, falsas, sua história, sem heróis autênticos, todos efetivamente ignorantes e bárbaros.
Pelo fato de serem diferentes dos brancos, dos cristãos e dos europeus, foram tratados com desigualdade, discriminados. A diferença de raça, de religião e de cultura não foi vista pelos colonizadores como riqueza humana. Grande equívoco: a diferença foi considerada como inferioridade!
Processo semelhante ocorreu no século XVI com os indígenas da América e com os colonizados da Ásia. E ocorre ainda hoje com os países que não foram inseridos no novo sistema mundial de produção, de consumo e de mercado global, como a maioria das nações da América Latina, da África e da Ásia. Elas são consideradas “sem interesse para o capital”, tidas, em termos globais, como “zeros econômicos” e suas populações vistas como “massas humanas descartáveis”, “sobrantes” do processo de modernização. São entregues à própria fome, à miséria e à margem da história feita pelos que presumem serem os senhores do mundo. Estes mostram, por isso, uma insensibilidade e uma desumanidade que dificilmente encontra paralelos na história humana.
Infelizmente, a mesma discriminação acontece com os pobres e miseráveis, com as mulheres, os deficientes físicos e mentais, os homossexuais, os portadores do vírus HIV, os hansenianos e todos aqueles que não se enquadram nos modelos preestabelecidos. Todos são vítimas do preconceito e da exclusão por parte daqueles que se pretendem os únicos portadores da humanidade, de cultura, de saúde, de saber e de verdade religiosa.
– Dominadores, vossa arrogância vos torna cruéis e sem piedade. Ela vos faz etnocêntricos*, dogmáticos* e fundamentalistas* .Não percebeis que vos desumanizais a vós mesmos? Reparai: onde chegais, fazeis vítimas de toda ordem por conta do caráter discriminador, proselitista e excludente de vossas atitudes e de vosso projeto cultural, religioso, político e econômico que impondes a todo mundo!
A libertação se efetiva na prática histórica
Toda colonização – seja a antiga, pela invasão dos territórios, seja a moderna, pela integração forçada no mercado mundial – significa sempre um ato de grandíssima violência. Implica o bloqueio do desenvolvimento autônomo de um povo. Representa a submissão de parcelas importantes da cultura, com sua memória, seus valores, suas instituições, sua religião, à outra cultura invasora. Os colonizados de ontem e de hoje são obrigados a assumir formas políticas, hábitos culturais, estilos de comunicação, gêneros de música e modos de produção e de consumo dos colonizadores. Atualmente se verifica uma poderosa “hamburguerização” da cultura culinária e uma “rockitização” dos estilos musicais.
Os que detêm o monopólio do ter, do poder e do saber, controlam os mercados e decidem sobre o que se deve produzir, consumir e exportar. Numa palavra, os colonizados são impedidos de fazer suas escolhas, de tomar as decisões que constroem a sua própria história.
Tal processo é profundamente humilhante para um povo. Produz sofrimentos dilaceradores. A médio e a longo prazo não há razões, quaisquer que sejam, que consigam justificar e tomar aceitável tal sofrimento. Aos poucos ele se torna simplesmente insuportável. Dá origem a um antipoder. Os oprimidos começam a “extrojetar” o opressor que forçadamente hospedam dentro de si. É o tempo maduro para o processo de libertação. Primeiro, na mente. Depois, na organização, Por fim, na prática.
Libertação significa a ação que liberta a liberdade cativa. É só pela libertação que os oprimidos resgatam a auto-estima. Refazem a identidade negada. Reconquistam a pátria dominada. E podem construir uma história autônoma, associada à história de outros povos livres.
– Oprimidos, convencei-vos desta verdade: a libertação começa na vossa consciência e no resgate da vossa própria dignidade, feita mediante uma prática conseqüente. Confiai.Jamais estareis sós. Haverá sempre espíritos generosos de todas as raças, de todas as classes e de todas as religiões que farão corpo convosco na vossa nobre causa da liberdade. Haverá sempre aqueles que pensarão: cada sofrimento humano, em qualquer parte do mundo, cada lágrima chorada em qualquer rosto, cada ferida aberta em qualquer corpo é como se fosse uma ferida no meu próprio corpo, uma lágrima dos meus próprios olhos e um sofrimento do meu próprio coração. E abraçarão a causa dos oprimidos de todo o mundo. Serão vossos aliados leais.
James Aggrey incentivava em seus compatriotas ganenses tais sentimentos de solidariedade essencial. Infelizmente não pôde ver a libertação de seu povo. Morreu antes, em 1927. Mas semeou sonhos.
A libertação veio com Kwame N’Krumah, uma geração após. Este aprendeu a lição libertária de Aggrey: Apesar da vigilância inglesa, conseguiu organizar em 1949 um partido de libertação, chamado Partido da Convenção do Povo. N’Krumah e seu partido pressionaram de tal maneira a administração colonial inglesa, que o governo de Londres se viu obrigado, em 1952, a fazê-lo primeiro ministro.
Em seu discurso de posse surpreendeu a todos ao proclamar: “Sou socialista, sou marxista e sou cristão”. Obteve a sua maior vitória no dia 6 de março de 1957 quando presidiu a proclamação da independência da Costa do Ouro. Agora o país voltou ao antigo nome: Gana. Foi a primeira colônia africana a conquistar sua independência.
Gana tem hoje 238.537 quilômetros quadrados, com densa selva tropical ao sul, atravessada pelo grandioso rio Volta de 1.600 quilômetros de comprimento. A represa Akossombo, feita com o rio, forma um imenso lago de 8.482 quilômetros quadrados, numa extensão de quatrocentos quilômetros. A capital é Accra, com ,cerca de 700 mil habitantes numa população total de 16,4 milhões de pessoas.
Estima-se que 2000 Gana terá 20 milhões de habitantes. Se aplicarem os ideais de James Aggrey, consolidarão sua identidade e autonomia. E avançarão pouco a pouco no sentido de uma cidadania participativa e solidária.
Repoduzido do livro “A águia e a galinha” de Leonardo Boff. Editora Vozes
Em Labirintos Do Pensamentos exponho breves ensaios Hermenêuticos, Filosóficos e Lacônicas Reflexões e outros textos de não minha autoria estarão enriquecendo nosso Blog. Bom Proveito a Todos .
sexta-feira, junho 05, 2015
A PARÁBOLA NARRADA POR, JAMES AGGREY.
UMA BREVE RESENHA do LIVRO A ÁGUIA E A GALINHA , DE LEONARDO BOFF.
________A parábola da Águia e a Galinha Auferiu muitas versões e muitas interpretações, varias publicações foram produzidas no mundo. Na verdade ela é de autoria de Um educador Ganense, James Aggrey, um Paulo Freire para Gana. Aggrey escreveu essa pequena narração sobre uma águia que, criada entre galinhas, não queria voar como um lembrete aos povos Africanos, então sob dominação Europeia. Ele queria mostrar a eles que a riqueza de suas culturas e tradições seguia viva, a despeito da opressão; pretendia redespertá-los para sua grandeza esquecida: seu majestoso destino de águias, e não de submissas galinhas. Uma lição muito bem-vinda, a todos os povos, de todas as épocas e continentes. Aqui no Brasil foi narrada por Leornado Boff, no livro sob o titulo: A Águia e Galinha – uma metáfora da condição humana, publicado pela editora vozes, Petrópolis, RJ: 1997.Vozes. Leonardo Boff é Teólogo (PhD e Filósofo Dr., doutorou-se em Filosofia e Teologia na Universidade de Munique, Alemanha). foi Franciscano e é um dos pais da Teologia da Libertação. Por vários anos esteve à frente do editorial religioso da Editora Vozes. Teve inúmeros conflitos com a Igreja Católica, sendo proibido de dar aulas por um determinado período e a fazer um ano de silêncio( Silêncio Obsequioso) . Mais tarde foi professor de Ética e Filosofia da Religião na UERJ. É autor de mais de sessenta livros ligados à teologia, à filosofia, à espiritualidade e à ecologia. Boff é hoje , o Teólogo Brasileiro , com publicações e livros traduzidos mais lido no mundo. Laureado com muitos títulos , entre eles o o título de 'Doutor Honoris Causa' da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), no dia 10 de setembro de 2012, (cuja cerimônia estive presente) e respeitado em outras tradições religiosas. Como escritor,Leonardo Boff diversifica suas obras entre livros de filosofia, teologia, espiritualidade e ecologia. É membro da Comissão da Carta da Terra. desde 2002. Boff Lista com um dos intelectuais brasileiros
No caso de A Águia e A Galinha, a condição humana é grandiosamente explorada e mostrada como uma relevante história que versa sobre possibilidades, limites, aceitação, desejo e o simbólico.
Quando uma águia é encontrada na floresta por um camponês, esse a leva com ele e a deixa em um galinheiro. Acreditando que estava cuidando do animal ferido, a deixa junto com galinhas e passa a cria-la como tais. Com o tempo passando e sua nova “rotina” aviária, a águia começa a se portar como uma galinha e seu modo de vida vai sendo alterado, se adaptando, até a chegada de um naturalista que visita o camponês, que discute sobre a condição em que o animal está sendo tratado.
Entre a defesa do naturalista de que a águia nunca poderia ter sua natureza alterada e o discurso do camponês sobre aceitação à nova vida de galinha que a ave de rapina foi sujeitada, o livro vai contando sobre a condição instintiva das duas aves e com o passar das páginas, podemos entende um pouco mais sobre como a nossa própria condição humana é retratada a partir das qualidades e essências de cada uma das duas aves.
A metáfora contida na narrativa exposta retrata questões de auto-estima, estado de superação e abrange também como cada ser é dotado de particularidades que não podem ser alteradas ou simplesmente suprimidas. Enquanto a águia se encontra em momentos de limitações entre as galinhas, o naturalista e o camponês debatem sobre o que ela pode e consegue fazer. Um acredita veementemente na força instintiva de sua natureza, enquanto o outro rebate esclarecendo que sua natureza não mais lhe pertence.
Mas quando uma ocasião de “tudo ou nada” é imposta à sua frente, os olhos da águia se enchem com a claridade do sol e então ela abre suas enormes asas e voa para o céu, soberana de sua realidade e “entendendo” que seu limite está além de um galinheiro junto à outra espécie. Aceitando que é maior do que certas imposições, a águia reaprende que não é uma simples galinha e volta a viver de acordo como o que sua condição basilar lhe concede.
Assim é com o homem e sua eterna guerra interna sobre o que consegue ou não, pode ou não, ser ou não ser. Todos podemos tirar conclusões sobre quem somos, de onde viemos, para onde vamos e sempre esses questionamentos nos afligirão em situações que nos encontramos como galinhas oprimidas, mas quando entendemos e percebemos que somos mais e podemos mais, nada pode impedir a natureza de seguir seu curso e evoluir.
_Reproduzo parte do texto do Livro a Águia e a Galinha de Leonardo Boff, pagina 40._
“Recusamo-nos a ser somente galinhas. Queiramos ser também águias que ganham altura e que projetam visões para além do galinheiro. Acolhemos prazerosamente nossas raízes (galinha), mas não à custa da copa (águia) que mediante suas folhas entra em contato com o sol, a chuva, o ar e o inteiro universo. Queremos resgatar nosso ser de águias. As águias não desprezam a terra, pois nela encontram seu alimento. Mas não são feitas para andar na terra, senão para voar nos céus, medindo-se com os picos das montanhas e com os ventos mais fortes.
Hoje, no processo de mundialização homogeneizadora, importa darmos asas à águia que se esconde em cada um de nós. Só então encontraremos o equilíbrio. A águia compreenderá a galinha e a galinha se associará ao vôo da águia.
Na nossa atual humanidade e em nosso planeta, assistimos aos mandos e desmandos dos mais fortes, dos detentores do saber, do ter e do poder, que querem controlar, para nos reduzir a simples galinhas e nos subordinar aos seus interesses, mas é preciso que não aceitemos essa submissão, que rejeitemos os conformismos, os comodismos, porque essa dominação sempre será causadora de muitos sofrimentos à maioria da humanidade diante da pobreza e da exclusão social, por isso é necessário que despertemos a águia que existe dentro de nós para juntos construirmos um mundo melhor, onde todos possam participar e decidir sem omissões, libertando-se da opressão”.
<b>Referência Bibliográfica:
BOFF, Leonardo. A Águia e a Galinha, a metáfora da condição humana. Pagina 40 ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 1997.
_A parábola narrada por , James Aggrey._
__Era uma vez um camponês que foi a floresta vizinha apanhar um pássaro para mantê-lo em sua casa. Conseguiu pegar um filhote de águia. Coloco-o no galinheiro junto com as galinhas. Comia milho e ração própria para galinhas. Embora a águia fosse o rei/rainha de todos os pássaros. Depois de cinco anos, este homem recebeu em sua casa a visita de um naturalista. Enquanto passeavam pelo jardim, disse o naturalista:
- Esse pássaro aí não é galinha. É uma águia.
- De fato – disse o camponês. É águia. Mas eu criei como galinha.
Ela não é mas uma águia. Transformou-se em galinha como as outras, apesar das asas de quase três metros de extensão.
- Não – retrucou o naturalista. Ela é e será sempre uma águia. Pois tem um coração de águia. Este coração a fará um dia voar ás alturas. - Não, não – insistiu o camponês. Ela virou galinha e jamais voará como águia. Então decidiram fazer uma prova. O naturalista tomou a águia, ergueu-a bem alto e desafiando-a disse: - já que você de fato é uma águia, já que você pertence ao céu e não a terra, então abra suas asas e voe! A águia pousou sobre o braço estendido do naturalista. Olhava distraidamente ao redor. Viu as galinhas lá embaixo, ciscando grãos. E pulou para junto delas. O camponês comentou:
- Eu lhe disse, ela virou uma simples galinha!
- Não – tornou a insistir o naturalista. Ela é uma águia.
E uma águia será sempre uma águia. Vamos experimentar novamente amanhã.
No dia seguinte, o naturalista subiu com a águia no teto da casa. Sussurrou-lhe:
- Águia, já que você é uma águia, abra as suas asas e voe!
Mas quando a águia viu lá embaixo as galinhas, ciscando o chão, pulou e foi para junto delas.
O camponês sorriu e voltou à carga:
- Eu lhe havia dito, ela virou galinha!
- Não – respondeu firmemente o naturalista. Ela é águia, possuirá sempre um coração de águia. Vamos experimentar ainda uma ultima vez. Amanhã a farei voar.
No dia seguinte, o naturalista e o camponês levantaram bem cedo. Pegaram a águia, levaram para fora da cidade, longe das casas dos homens, no alto de uma montanha. O sol nascente dourava os picos das montanhas. O naturalista ergueu a águia para o alto e ordenou-lhe:
- Águia, já que você é uma águia, já que você pertence ao céu e não à terra, abra suas asas e voe!
A águia olhou ao redor. Tremia como se experimentasse nova vida. Mas não voou. Então o naturalista segurou-a firmemente, bem na direção do sol, para que seus olhos pudessem encher-se da claridade solar e da vastidão do horizonte.
Nesse momento, ela abriu suas potentes asas, grasnou com o típico kau-kau das águias e ergue-se, soberana, sobre se mesma. E começou a voar, a voar para o alto, a voar cada vez mais para o alto. Voou... voou... até confundir-se com o azul do firmamento...
E Aggrey terminou conclamando:
- Irmãos e irmãs, meus compatriotas! Nós fomos criados à imagem e semelhança de Deus! Mas houve pessoas que nos fizeram pensar como galinhas. E muitos de nós ainda acham que somos efetivamente galinhas. Mas nós somos águias. Por isso, companheiros e companheiras, abramos as asas e voemos . Voemos como as águias. Jamais nos contentemos com os grãos que nos jogarem aos pés para ciscar.
_________Copyright André Assis. Todos os direitos reservados.
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domingo, maio 31, 2015
Nietzsche para Estressados
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segunda-feira, maio 18, 2015
Olha No Meu Olho - Chaplin - Canal Vesh - Diego Freire
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quinta-feira, maio 07, 2015
Nietzsche - Human, All Too Human (Full BBC Documentary)
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quinta-feira, abril 09, 2015
A Escultura De Rodin.
Retrata um homem em reflexão. É universalmente usada para representar a reflexão filosófica, ela mesma exige nossa reflexão: para Descartes, seria o momento primeiro da introspecção puramente racional, na busca das ideias claras e distintas.
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