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domingo, junho 07, 2015

Com A Palavra o Filósofo__________________________ Sêneca

___Um é levado a destruir o outro por um ligeiro ganho, ninguém obtém lucro senão com o dano de outrem, odeiam quem é feliz, desprezam o infeliz, não suportam alguém superior, oprimem o inferior, são incitados por desejos diversos, querem que tudo se arrase em troca de um leve prazer ou espólio.Sua vida não é diferente da dos que convivem e lutam com os mesmos parceiros numa escola de gladiadores. É esse um agrupamento de feras, com a diferença de que elas são mansas entre si e se abstém de morder seus semelhantes, já eles são saciados pela mútua laceração. Somente nisto diferem dos animais: no fato de que estes se tornam mansos com quem os alimenta, e a raiva dos homens devora exatamente quem os nutriu. (Séneca, in "Sobre a Ira")

sábado, junho 06, 2015

*Uma história que vem da África*

_________________Prof. James Aggrey
Era uma vez um político, também educador popular, chamado James Aggrey: Ele era natural de Gana, pequeno país da África Ocidental. Até agora, talvez, um ilustre desconhecido. Mas, certa feita, contou uma história tão bonita que, com certeza, já circulou pelo mundo, tornando seu autor e sua narração inesquecíveis. Como muitas pessoas provavelmente não tiveram a oportunidade de ler sua história, nem de conhecer seu país, vamos inicialmente falar um pouco de Gana e relembrar aquela história. Gana está situado no Golfo da Guiné, entre a Costa do Marfim e o Togo. Sua longa história vem do século IV. Alcançou o apogeu entre 700 e 1200 de nossa era. Naquela época havia tanto ouro que até os cães de raça usavam coleiras e adornos com esse precioso metal. No século XVI Gana foi feita colônia pelos portugueses. E por causa do ouro abundante chamaram-na de Costa do Ouro. Outros, como os traficantes de escravos, denominavam-na também de Costa da Mina. No século XVIII, época do chamado ciclo da Costa da Mina, vieram dessa região, especialmente para a Bahia, cerca de 350 mil escravos. Com eles vieram e foram incorporados muitos elementos de sua cultura. O uso medicinal das folhas (ewé) que curam somente quando acompanhadas de palavras mágicas e de encantamento. E sua religião, o ioruba ou o candomblé, que possui uma das teologias mais fascinantes do mundo. Faz de cada pessoa humana uma espécie de Jesus Cristo, quer dizer, um virtual incorporador dos orixás, divindades ligadas à natureza e às suas energias vitais. Os escravos eram negociados em troca de fumo de terceira. Refugado por Lisboa, esse fumo era muito apreciado na África por causa de seu perfume. Dizia-se até: “a Bahia tem fumo e quer escravos; Costa da Mina tem escravos e quer fumo; portanto, façamos um negócio que é bom para os dois lados”. A maioria dos escravos das plantações de cana-de-açúcar nos Estados Unidos vieram também da região de Gana. A pretexto de combater a exportação de escravos para as Américas, a Inglaterra se apoderou desta colônia portuguesa. De início, em 1874, ocupou a costa e, em seguida; em 1895, invadiu todo o território. Gana perdeu assim a liberdade, tomando-se apenas mais uma colônia inglesa. A libertação começa na consciência A população ganense sempre alimentou forte consciência da ancestralidade de sua história e muito orgulho da nobreza de suas tradições religiosas e culturais. Em conseqüência, foi constante sua oposição a todo tipo de colonização. James Aggrey; considerado um dos precursores do nacionalismo africano e do moderno pan-africanismo, fortaleceu significativamente este sentimento. Ele teve grande relevância política como educador de seu povo. Para libertar o país – pensava ele à semelhança de Paulo Freire – precisamos, antes de tudo, libertar a consciência do povo. Ela vem sendo escravizada por idéias e valores antipopulares, introjetados pelos colonizadores. Com efeito, os colonizadores, para ocultar a violência de sua conquista, impiedosamente desmoralizavam os colonizados. Afirmavam, por exemplo, que os habitantes da Costa do Ouro e de toda a África eram seres inferiores, incultos e bárbaros. Por isso mesmo deviam ser colonizados. De outra forma, jamais seriam civilizados e inseridos na dimensão do espírito universal. Os ingleses reproduziam tais difamações em livros. Difundiam-nas nas escolas. Pregavam-nas do alto dos púlpitos das igrejas. E propalavam-nas em todos os atos oficiais. O marte lamento era tanto que muitos colonizados acabaram hospedando dentro de si os colonizadores com seus preconceitos. Acreditaram que de fato nada valiam. Que eram realmente bárbaros, suas línguas, rudes, suas tradições, ridículas, suas divindades, falsas, sua história, sem heróis autênticos, todos efetivamente ignorantes e bárbaros. Pelo fato de serem diferentes dos brancos, dos cristãos e dos europeus, foram tratados com desigualdade, discriminados. A diferença de raça, de religião e de cultura não foi vista pelos colonizadores como riqueza humana. Grande equívoco: a diferença foi considerada como inferioridade! Processo semelhante ocorreu no século XVI com os indígenas da América e com os colonizados da Ásia. E ocorre ainda hoje com os países que não foram inseridos no novo sistema mundial de produção, de consumo e de mercado global, como a maioria das nações da América Latina, da África e da Ásia. Elas são consideradas “sem interesse para o capital”, tidas, em termos globais, como “zeros econômicos” e suas populações vistas como “massas humanas descartáveis”, “sobrantes” do processo de modernização. São entregues à própria fome, à miséria e à margem da história feita pelos que presumem serem os senhores do mundo. Estes mostram, por isso, uma insensibilidade e uma desumanidade que dificilmente encontra paralelos na história humana. Infelizmente, a mesma discriminação acontece com os pobres e miseráveis, com as mulheres, os deficientes físicos e mentais, os homossexuais, os portadores do vírus HIV, os hansenianos e todos aqueles que não se enquadram nos modelos preestabelecidos. Todos são vítimas do preconceito e da exclusão por parte daqueles que se pretendem os únicos portadores da humanidade, de cultura, de saúde, de saber e de verdade religiosa. – Dominadores, vossa arrogância vos torna cruéis e sem piedade. Ela vos faz etnocêntricos*, dogmáticos* e fundamentalistas* .Não percebeis que vos desumanizais a vós mesmos? Reparai: onde chegais, fazeis vítimas de toda ordem por conta do caráter discriminador, proselitista e excludente de vossas atitudes e de vosso projeto cultural, religioso, político e econômico que impondes a todo mundo! A libertação se efetiva na prática histórica Toda colonização – seja a antiga, pela invasão dos territórios, seja a moderna, pela integração forçada no mercado mundial – significa sempre um ato de grandíssima violência. Implica o bloqueio do desenvolvimento autônomo de um povo. Representa a submissão de parcelas importantes da cultura, com sua memória, seus valores, suas instituições, sua religião, à outra cultura invasora. Os colonizados de ontem e de hoje são obrigados a assumir formas políticas, hábitos culturais, estilos de comunicação, gêneros de música e modos de produção e de consumo dos colonizadores. Atualmente se verifica uma poderosa “hamburguerização” da cultura culinária e uma “rockitização” dos estilos musicais. Os que detêm o monopólio do ter, do poder e do saber, controlam os mercados e decidem sobre o que se deve produzir, consumir e exportar. Numa palavra, os colonizados são impedidos de fazer suas escolhas, de tomar as decisões que constroem a sua própria história. Tal processo é profundamente humilhante para um povo. Produz sofrimentos dilaceradores. A médio e a longo prazo não há razões, quaisquer que sejam, que consigam justificar e tomar aceitável tal sofrimento. Aos poucos ele se torna simplesmente insuportável. Dá origem a um antipoder. Os oprimidos começam a “extrojetar” o opressor que forçadamente hospedam dentro de si. É o tempo maduro para o processo de libertação. Primeiro, na mente. Depois, na organização, Por fim, na prática. Libertação significa a ação que liberta a liberdade cativa. É só pela libertação que os oprimidos resgatam a auto-estima. Refazem a identidade negada. Reconquistam a pátria dominada. E podem construir uma história autônoma, associada à história de outros povos livres. – Oprimidos, convencei-vos desta verdade: a libertação começa na vossa consciência e no resgate da vossa própria dignidade, feita mediante uma prática conseqüente. Confiai.Jamais estareis sós. Haverá sempre espíritos generosos de todas as raças, de todas as classes e de todas as religiões que farão corpo convosco na vossa nobre causa da liberdade. Haverá sempre aqueles que pensarão: cada sofrimento humano, em qualquer parte do mundo, cada lágrima chorada em qualquer rosto, cada ferida aberta em qualquer corpo é como se fosse uma ferida no meu próprio corpo, uma lágrima dos meus próprios olhos e um sofrimento do meu próprio coração. E abraçarão a causa dos oprimidos de todo o mundo. Serão vossos aliados leais. James Aggrey incentivava em seus compatriotas ganenses tais sentimentos de solidariedade essencial. Infelizmente não pôde ver a libertação de seu povo. Morreu antes, em 1927. Mas semeou sonhos. A libertação veio com Kwame N’Krumah, uma geração após. Este aprendeu a lição libertária de Aggrey: Apesar da vigilância inglesa, conseguiu organizar em 1949 um partido de libertação, chamado Partido da Convenção do Povo. N’Krumah e seu partido pressionaram de tal maneira a administração colonial inglesa, que o governo de Londres se viu obrigado, em 1952, a fazê-lo primeiro ministro. Em seu discurso de posse surpreendeu a todos ao proclamar: “Sou socialista, sou marxista e sou cristão”. Obteve a sua maior vitória no dia 6 de março de 1957 quando presidiu a proclamação da independência da Costa do Ouro. Agora o país voltou ao antigo nome: Gana. Foi a primeira colônia africana a conquistar sua independência. Gana tem hoje 238.537 quilômetros quadrados, com densa selva tropical ao sul, atravessada pelo grandioso rio Volta de 1.600 quilômetros de comprimento. A represa Akossombo, feita com o rio, forma um imenso lago de 8.482 quilômetros quadrados, numa extensão de quatrocentos quilômetros. A capital é Accra, com ,cerca de 700 mil habitantes numa população total de 16,4 milhões de pessoas. Estima-se que 2000 Gana terá 20 milhões de habitantes. Se aplicarem os ideais de James Aggrey, consolidarão sua identidade e autonomia. E avançarão pouco a pouco no sentido de uma cidadania participativa e solidária. Repoduzido do livro “A águia e a galinha” de Leonardo Boff. Editora Vozes

sexta-feira, junho 05, 2015

A PARÁBOLA NARRADA POR, JAMES AGGREY.

UMA BREVE RESENHA do LIVRO A ÁGUIA E A GALINHA , DE LEONARDO BOFF.
________A parábola da Águia e a Galinha Auferiu muitas versões e muitas interpretações, varias publicações foram produzidas no mundo. Na verdade ela é de autoria de Um educador Ganense, James Aggrey, um Paulo Freire para Gana. Aggrey escreveu essa pequena narração sobre uma águia que, criada entre galinhas, não queria voar como um lembrete aos povos Africanos, então sob dominação Europeia. Ele queria mostrar a eles que a riqueza de suas culturas e tradições seguia viva, a despeito da opressão; pretendia redespertá-los para sua grandeza esquecida: seu majestoso destino de águias, e não de submissas galinhas. Uma lição muito bem-vinda, a todos os povos, de todas as épocas e continentes. Aqui no Brasil foi narrada por Leornado Boff, no livro sob o titulo: A Águia e Galinha – uma metáfora da condição humana, publicado pela editora vozes, Petrópolis, RJ: 1997.Vozes. Leonardo Boff é Teólogo (PhD e Filósofo Dr., doutorou-se em Filosofia e Teologia na Universidade de Munique, Alemanha). foi Franciscano e é um dos pais da Teologia da Libertação. Por vários anos esteve à frente do editorial religioso da Editora Vozes. Teve inúmeros conflitos com a Igreja Católica, sendo proibido de dar aulas por um determinado período e a fazer um ano de silêncio( Silêncio Obsequioso) . Mais tarde foi professor de Ética e Filosofia da Religião na UERJ. É autor de mais de sessenta livros ligados à teologia, à filosofia, à espiritualidade e à ecologia. Boff é hoje , o Teólogo Brasileiro , com publicações e livros traduzidos mais lido no mundo. Laureado com muitos títulos , entre eles o o título de 'Doutor Honoris Causa' da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), no dia 10 de setembro de 2012, (cuja cerimônia estive presente) e respeitado em outras tradições religiosas. Como escritor,Leonardo Boff diversifica suas obras entre livros de filosofia, teologia, espiritualidade e ecologia. É membro da Comissão da Carta da Terra. desde 2002. Boff Lista com um dos intelectuais brasileiros
No caso de A Águia e A Galinha, a condição humana é grandiosamente explorada e mostrada como uma relevante história que versa sobre possibilidades, limites, aceitação, desejo e o simbólico. Quando uma águia é encontrada na floresta por um camponês, esse a leva com ele e a deixa em um galinheiro. Acreditando que estava cuidando do animal ferido, a deixa junto com galinhas e passa a cria-la como tais. Com o tempo passando e sua nova “rotina” aviária, a águia começa a se portar como uma galinha e seu modo de vida vai sendo alterado, se adaptando, até a chegada de um naturalista que visita o camponês, que discute sobre a condição em que o animal está sendo tratado. Entre a defesa do naturalista de que a águia nunca poderia ter sua natureza alterada e o discurso do camponês sobre aceitação à nova vida de galinha que a ave de rapina foi sujeitada, o livro vai contando sobre a condição instintiva das duas aves e com o passar das páginas, podemos entende um pouco mais sobre como a nossa própria condição humana é retratada a partir das qualidades e essências de cada uma das duas aves. A metáfora contida na narrativa exposta retrata questões de auto-estima, estado de superação e abrange também como cada ser é dotado de particularidades que não podem ser alteradas ou simplesmente suprimidas. Enquanto a águia se encontra em momentos de limitações entre as galinhas, o naturalista e o camponês debatem sobre o que ela pode e consegue fazer. Um acredita veementemente na força instintiva de sua natureza, enquanto o outro rebate esclarecendo que sua natureza não mais lhe pertence. Mas quando uma ocasião de “tudo ou nada” é imposta à sua frente, os olhos da águia se enchem com a claridade do sol e então ela abre suas enormes asas e voa para o céu, soberana de sua realidade e “entendendo” que seu limite está além de um galinheiro junto à outra espécie. Aceitando que é maior do que certas imposições, a águia reaprende que não é uma simples galinha e volta a viver de acordo como o que sua condição basilar lhe concede. Assim é com o homem e sua eterna guerra interna sobre o que consegue ou não, pode ou não, ser ou não ser. Todos podemos tirar conclusões sobre quem somos, de onde viemos, para onde vamos e sempre esses questionamentos nos afligirão em situações que nos encontramos como galinhas oprimidas, mas quando entendemos e percebemos que somos mais e podemos mais, nada pode impedir a natureza de seguir seu curso e evoluir. _Reproduzo parte do texto do Livro a Águia e a Galinha de Leonardo Boff, pagina 40._ “Recusamo-nos a ser somente galinhas. Queiramos ser também águias que ganham altura e que projetam visões para além do galinheiro. Acolhemos prazerosamente nossas raízes (galinha), mas não à custa da copa (águia) que mediante suas folhas entra em contato com o sol, a chuva, o ar e o inteiro universo. Queremos resgatar nosso ser de águias. As águias não desprezam a terra, pois nela encontram seu alimento. Mas não são feitas para andar na terra, senão para voar nos céus, medindo-se com os picos das montanhas e com os ventos mais fortes. Hoje, no processo de mundialização homogeneizadora, importa darmos asas à águia que se esconde em cada um de nós. Só então encontraremos o equilíbrio. A águia compreenderá a galinha e a galinha se associará ao vôo da águia. Na nossa atual humanidade e em nosso planeta, assistimos aos mandos e desmandos dos mais fortes, dos detentores do saber, do ter e do poder, que querem controlar, para nos reduzir a simples galinhas e nos subordinar aos seus interesses, mas é preciso que não aceitemos essa submissão, que rejeitemos os conformismos, os comodismos, porque essa dominação sempre será causadora de muitos sofrimentos à maioria da humanidade diante da pobreza e da exclusão social, por isso é necessário que despertemos a águia que existe dentro de nós para juntos construirmos um mundo melhor, onde todos possam participar e decidir sem omissões, libertando-se da opressão”. <b>Referência Bibliográfica: BOFF, Leonardo. A Águia e a Galinha, a metáfora da condição humana. Pagina 40 ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 1997. _A parábola narrada por , James Aggrey._
__Era uma vez um camponês que foi a floresta vizinha apanhar um pássaro para mantê-lo em sua casa. Conseguiu pegar um filhote de águia. Coloco-o no galinheiro junto com as galinhas. Comia milho e ração própria para galinhas. Embora a águia fosse o rei/rainha de todos os pássaros. Depois de cinco anos, este homem recebeu em sua casa a visita de um naturalista. Enquanto passeavam pelo jardim, disse o naturalista: - Esse pássaro aí não é galinha. É uma águia. - De fato – disse o camponês. É águia. Mas eu criei como galinha. Ela não é mas uma águia. Transformou-se em galinha como as outras, apesar das asas de quase três metros de extensão. - Não – retrucou o naturalista. Ela é e será sempre uma águia. Pois tem um coração de águia. Este coração a fará um dia voar ás alturas. - Não, não – insistiu o camponês. Ela virou galinha e jamais voará como águia. Então decidiram fazer uma prova. O naturalista tomou a águia, ergueu-a bem alto e desafiando-a disse: - já que você de fato é uma águia, já que você pertence ao céu e não a terra, então abra suas asas e voe! A águia pousou sobre o braço estendido do naturalista. Olhava distraidamente ao redor. Viu as galinhas lá embaixo, ciscando grãos. E pulou para junto delas. O camponês comentou: - Eu lhe disse, ela virou uma simples galinha! - Não – tornou a insistir o naturalista. Ela é uma águia. E uma águia será sempre uma águia. Vamos experimentar novamente amanhã. No dia seguinte, o naturalista subiu com a águia no teto da casa. Sussurrou-lhe: - Águia, já que você é uma águia, abra as suas asas e voe! Mas quando a águia viu lá embaixo as galinhas, ciscando o chão, pulou e foi para junto delas. O camponês sorriu e voltou à carga: - Eu lhe havia dito, ela virou galinha! - Não – respondeu firmemente o naturalista. Ela é águia, possuirá sempre um coração de águia. Vamos experimentar ainda uma ultima vez. Amanhã a farei voar. No dia seguinte, o naturalista e o camponês levantaram bem cedo. Pegaram a águia, levaram para fora da cidade, longe das casas dos homens, no alto de uma montanha. O sol nascente dourava os picos das montanhas. O naturalista ergueu a águia para o alto e ordenou-lhe: - Águia, já que você é uma águia, já que você pertence ao céu e não à terra, abra suas asas e voe! A águia olhou ao redor. Tremia como se experimentasse nova vida. Mas não voou. Então o naturalista segurou-a firmemente, bem na direção do sol, para que seus olhos pudessem encher-se da claridade solar e da vastidão do horizonte. Nesse momento, ela abriu suas potentes asas, grasnou com o típico kau-kau das águias e ergue-se, soberana, sobre se mesma. E começou a voar, a voar para o alto, a voar cada vez mais para o alto. Voou... voou... até confundir-se com o azul do firmamento... E Aggrey terminou conclamando: - Irmãos e irmãs, meus compatriotas! Nós fomos criados à imagem e semelhança de Deus! Mas houve pessoas que nos fizeram pensar como galinhas. E muitos de nós ainda acham que somos efetivamente galinhas. Mas nós somos águias. Por isso, companheiros e companheiras, abramos as asas e voemos . Voemos como as águias. Jamais nos contentemos com os grãos que nos jogarem aos pés para ciscar.

_________Copyright André Assis. Todos os direitos reservados.

domingo, maio 31, 2015

Nietzsche para Estressados


____________ “Nietzsche Para Estressados” é um compendio Publicado no Brasil pela editora Sextante, onde Allan Percy, o autor da compilação, selecionou 99 máximas Do Filosofo Alemão. *Os 99 Aforismos Organizados Por Allan Percy*_______
1 — Quem tem uma razão de viver é capaz de suportar qualquer coisa. 2 — O destino dos seres humano é feito de momentos felizes e não de épocas felizes. 3 — Nós nos sentimos bem em meio à natureza porque ela não nos julga. 4 — Precisamos pagar pela imortalidade e morrer várias vezes enquanto estamos vivos. 5 — O valor que damos ao infortúnio é tão grande que, se dizemos a alguém “Como você é feliz!”, em geral somos contestados. 6 — Nossos tesouro está na colmeia de nosso conhecimento. Estamos sempre voltados a essa direção, pois somos insetos alados da natureza, coletores do mel da mente. 7 — A palavra mais ofensiva e a carta mais grosseira são melhores e mais educadas que o silêncio. 8 — Nossa honra não é construída por nossa origem, mas por nosso fim. 9 — O homem que imagina ser completamente bom é um idiota. 10 — As pessoas que nos fazem confidências se acham automaticamente no direito de ouvir as nossas 11 — Precisamos amar a nós mesmos para sermos capazes de nos tolerar e não levar uma vida errante. 12 — Só quem constrói o futuro tem o direito de julgar o passado. 13 — Alegrando-se por nossa alegria, sofrendo por nosso sofrimento — assim se faz um amigo. 14 — Não devemos ter mais inimigos que as pessoas dignas de ódio, mas tampouco devemos ter inimigos dignos de desprezo. É importante nos orgulharmos de nossos inimigos. 15 — O sucesso sempre foi um grande mentiroso. 16 — O homem é algo a ser superado. Ele é uma ponte, não um objetivo final. 17 — Falar muito de si mesmo pode ser uma forma de se ocultar. 18 — As pessoas nos castigam por nossas virtudes. Só perdoam sinceramente nossos erros. 19 — O reino dos céus é uma condição do coração e não algo que cai na terra ou que surge depois da morte. 20 — O homem é, antes de tudo, um animal que julga. 21 — A melhor arma contra o inimigo é outro inimigo. 22 — Os maiores êxitos não são os que fazem mais ruído e sim nossas horas mais silenciosas. 23 — O indivíduo sempre lutou para não ser absorvido por sua tribo. Se fizer isso, você se verá sozinho com frequência e, às vezes, assustado. Mas o privilégio de ser você mesmo não tem preço. 24 — Quem é ativo aprende sozinho. 25 — Nossas opiniões são a pele na qual queremos ser vistos. 26 — Não há razão para buscar o sofrimento, mas, se ele surgir em sua vida, não tenha medo: encare-o de frente e com a cabeça erguida. 27 — A razão começa na cozinha. 28 — O futuro influi no presente da mesma maneira que o passado. 29 — Não deveríamos tentar deter a pedra que já começou a rolar morro abaixo; o melhor é dar-lhe impulso. 30 — A maneira mais eficaz de corromper o jovem é ensiná-lo a admirar aqueles que pensam como ele e não os que pensam de forma diferente. 31 — Toda queixa contém em si uma agressão. 32 — No amor sempre existe algo de loucura e na loucura sempre existe algo de razão. 33 — Quem deseja aprender a voar deve primeiro aprender a caminhar, a correr, a escalar e a dançar. Não se aprende a voar voando. 34 — Quem luta contra monstros deve ter cuidado para não se transformar em um deles. 35 — São muitas as verdades e, por esse motivo, não existe verdade alguma. 36 — A mentira mais comum é a que o homem usa para enganar a si mesmo. 37 — Deveríamos considerar perdido o dia em que não dançamos nenhuma vez. 38 — Há mais sabedoria no seu corpo do que na sua filosofia mais profunda. 39 — Se ficar olhando muito tempo para o abismo olhará para você. 40 — As posições extremas não são seguidas de posições moderadas, e sim de posições contrárias. 41 — Preciso de companheiros, mas de companheiros vivos, não de cadáveres que eu tenha que levar nas costas por toda parte. 42 — Eis a tarefa mais difícil: fechar a mão aberta do amor e ser modesto como doador. 43 — A arrogância por parte de quem tem mérito nos parece mais ofensiva que a arrogância de quem não o tem: o próprio mérito é ofensivo 44 — Todos os grandes pensamentos são concebidos ao se caminhar 45 — Quem não sabe guardar suas opiniões no gelo não deveria entrar em debates acalorados. 46 — Dois grandes espetáculos são muitas vezes suficientes para curar uma pessoa apaixonada. 47 — Quem declara que o outro é idiota fica chateado quando, no final, descobre que isso não é verdade. 48 — Amigos deveriam ser mestres em adivinhar e calar: não se deve querer saber tudo. 49 — Usar as mesmas palavras não é garantia de entendimento. É preciso ter experiências em comum com alguém. 50 — Estava só e não fazia outra coisa além de encontrar-se consigo mesmo. Então, aproveitou sua solidão e pensou em coisas muito boas por várias horas. 51 — A potência intelectual de um homem se mede pelo humor que ele é capaz de manifestar. 52 — Gosto dos valentes, mas não basta ser um espadachim: também é preciso saber a quem ferir. E, muitas vezes, abster-se demonstra mais bravura, reservando-se para um inimigo mais digno. 53 — De que vale o ronronar de alguém que não sabe amar, como um gato? 54 — Para chegar a ser sábio, é preciso querer experimentar certas vivências. Mas isso é muito perigoso. Mais de um sábio foi devorado nessa tentativa. 55 — O cérebro verdadeiramente original não é o que enxerga algo novo antes de todo mundo, mas o que olha para coisas velhas e conhecidas, já vistas e revistas por todos, como se fossem novas. Quem descobre algo é normalmente este ser sem originalidade e sem cérebro chamado sorte. 56 — Quem não dispõe de dois terços do dia é um escravo. 57 — O melhor meio de ajudar pessoas muito confusas e deixá-las mais tranquilas é elogiá-las de forma veemente. 58 — O homem amadurece quando reencontra a seriedade que demonstrava em suas brincadeiras de criança. 59 — Ninguém é tão louco que não possa encontrar outro louco que o entenda. 60 — Na maior parte das vezes que não aceitamos uma opinião, isso acontece por causa do tom em que ela foi manifestada. 61 — Acredito que os animais veem o homem como um ser igual a eles que perdeu, de forma extraordinariamente perigosa, a sanidade intelectual animal. Ou seja: veem o homem como um animal irracional, um animal que sorri, que chora, um animal infeliz. 62 — Antes de se casar, pergunte a si mesmo: serei capaz de manter uma boa conversa com essa pessoa até a velhice? Todo o resto é passageiro num matrimônio. 63 — É muito difícil os homens entenderem sua ignorância no que diz respeito a eles mesmos. 64 — Pobre do pensador que não é o jardineiro, mas apenas o canteiro de suas plantas. 65 — Um poeta escreveu em sua porta: “Quem entrar aqui me honrará. Quem não entrar me proporcionará um prazer”. 66 — A verdade é que amamos a vida não porque estamos acostumados a ela, mas porque estamos acostumados com o amor. 67 — O homem é a causa criativa de tudo o que acontece. 68 — Seus maiores bens são seus sonhos. 69 — Quem não sabe dar nada não sabe sentir nada. 70 — As ilusões são certamente prazeres dispendiosos, mas a destruição delas é mais dispendiosa ainda. 71 — A essência de toda arte bela, de arte grandiosa, é a gratidão. 72 — Não é raro encontrar cópias de grandes homens. E, como acontece com os quadros, a maior parte das pessoas parece mais interessada nas cópias do que nos originais. 73 — Quem não teve um bom pai deve procurar um. 74 — Os poços mais profundos vivem suas experiências lentamente: esperam um bom tempo até saberem o que caiu em suas profundezas. 75 — Quando temos muitas coisas para guardar nele, o dia tem 100 bolsos. 76 — Uma alma delicada se sente mal quando sabe que receberá agradecimentos. Uma alma grosseira se sente mal quando sabe que precisa agradecer a alguém. 77 — Não se pode odiar enquanto se menospreza. Não se pode odiar mais intensamente um indivíduo desprezado do que um igual ou superior. 78 — Quantos homens sabem observar? E, desses poucos que sabem, quantos observam a si próprios? “Cada pessoa é o ser mais distante de si mesmo.” 79 — A guerra emburrece o vencedor e deixa o vencido rancoroso. 80 — Cada mestre não tem mais que um aluno e esse aluno lhe será infiel, pois está predestinado a ser mestre também. 81 — O mundo real é muito menor que o mundo da imaginação. 82 — Se você for magoado por um amigo, diga a ele: “Eu o perdoo pelo que me fez, mas como poderia perdoá-lo pelo que fez a si mesmo?” 83 — A esperança é muito mais estimulante que a sorte. 84 — O que não nos mata nos fortalece. 85 — Quem vê mal sempre vê pouco. Quem escuta mal sempre escuta demais. 86 — Toda vez que me elevo, sou perseguido por um cachorro chamado Ego. 87 — Todo idealismo perante a necessidade é um engano. 88 — Você tem o seu caminho. Eu tenho o meu. O caminho correto e único não existe. 89 — Toda convicção é uma prisão. 90 — Nossa vida nos parece muito mais bonita quando deixamos de compará-la com as dos outros. 91 — As pessoas esquecem de seus erros depois de confessá-los ao outro, mas o outro normalmente não se esquece. 92 — Eis a fórmula da felicidade: um sim, um não, uma linha reta, uma meta. 93 — A melhor maneira de começar o dia é se comprometer a fazer feliz ao menos uma pessoa antes de o sol se pôr. 94 — A simplicidade e a naturalidade são o objetivo supremo e último da cultura. 95 — A vida não é muito curta para que fiquemos entediados? 96 — Não atacamos apenas para machucar o outro, para vencê-lo, mas, algumas vezes, pelo simples desejo de adquirir consciência de nossa força. 97 — Nossas carências são os melhores professores, mas nunca mostramos gratidão diante dos bons mestres. 98 — Quem fica remoendo alguma coisa se comporta de maneira tão tola quanto o cachorro que morde a pedra. 99 — O amor não é consolo — é luz.

segunda-feira, maio 18, 2015

Olha No Meu Olho - Chaplin - Canal Vesh - Diego Freire

quinta-feira, maio 07, 2015

Nietzsche - Human, All Too Human (Full BBC Documentary)

quinta-feira, abril 09, 2015

A Escultura De Rodin.

Retrata um homem em reflexão. É universalmente usada para representar a reflexão filosófica, ela mesma exige nossa reflexão: para Descartes, seria o momento primeiro da introspecção puramente racional, na busca das ideias claras e distintas.